São Paulo – A unidade de Caprinos e Ovinos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começou a utilizar uma tecnologia de avaliação de alimentos trazida da Síria. A tecnologia, chamada cromatografia gasosa, é usada no país árabe para avaliação da gordura de produtos de caprinos e ovinos, como carne, leite e queijos, além de peles. Ela está disponível há cerca de um mês na unidade, segundo o chefe de pesquisa, Marco Bomfim, para experimentos da Embrapa e instituições de pesquisa parceiras.
A cromatografia gasosa não é originária da Síria, mas é dominada e funciona bem no país, de acordo com Bonfim. Foi o chefe de pesquisa quem trouxe o sistema para a Embrapa depois de passar quatro meses na Síria, entre junho e outubro do ano passado. Por meio da tecnologia, é possível saber a qualidade da gordura dos produtos, e as quantidades, por exemplo, de gordura saturada no produto. É necessário o uso de uma máquina para isso. A Embrapa adquiriu o equipamento e Bomfim treinou o pessoal para operá-lo.
O objetivo, segundo Bomfim, é abrir mais mercado para os produtos da caprinocultura e da ovinocultura, já que o consumidor procura alimentos cada vez mais saudáveis. O chefe de pesquisa da Embrapa Caprinos e Ovinos atuou, na Síria, no International Center for Agricultural Research in the Dry Areas (Icarda), em Aleppo. Além de aprender as técnicas da cromatografia gasosa para trazer ao Brasil, Bomfim repassou o conhecimento brasileiro em eficiência alimentar para caprinos e ovinos.
Na prática, ele ensinou a fazer monitoramento do metabolismo dos animais na diminuição dos alimentos. Pelo sistema, os caprinos e ovinos recebem cada vez uma quantidade menor de comida para ver qual é o seu limite, ou que quantidade mínima de alimento conseguem crescer e produzir bem, sem usar as suas reservas de gordura. Essa é uma área, segundo Bomfim, que o Brasil domina. “É preciso deixar um pouco de gordura para épocas de seca”, diz o chefe de pesquisa. Com o processo, são gerados alimentos mais saudáveis.
Bomfim é nutricionista animal e está há seis anos na Embrapa Caprinos e Ovinos, que fica na cidade cearense de Sobral. Ele se graduou pela Universidade Estadual do Maranhão, estado onde nasceu, fez mestrado na Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, e doutorado na Universidade Federal de Viçosa. Na Síria, além de repassar seus conhecimentos e aprender com a experiência local, também fez pós-doutorado no Icarda.
A viagem de Bomfim surgiu a partir de uma parceria entre o Icarda e a Embrapa. O Icarda é uma instituição internacional de pesquisa ligada ao Grupo de Consultoria em Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), que é formado por vários centros de pesquisa internacional e mantido por governos, Nações Unidas e outros organismos internacionais. No Icarda, em Aleppo, atuam pesquisadores de cerca de 60 nacionalidades. Há sírios e muitos árabes, de acordo com Bomfim.
A Síria tem um rebanho de 17 milhões de ovinos e um milhão de caprinos. O país é o quarto maior exportador de ovinos do mundo e criação de ovinos para produção de leite é um das suas atividades agrícolas importantes. Há muita produção e consumo, de acordo com Bonfim, de leite e iogurte de ovinos. Os próprios criadores produzem iogurtes. A maioria é de pequeno porte, diz o nutricionista, e entre eles há os nômades beduínos, que vão migrando segundo disponibilidade de alimentos para os animais.

