Da redação
São Paulo – O vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabe Unidos, Mohammed Bin Rachid Al Maktoum, anunciou neste final de semana, durante reunião do Fórum Econômico Mundial (FEM) no Oriente Médio, realizada na Jordânia, a criação da Fundação Mohammed Bin Rachid Al Maktoum, um fundo com dotação inicial de US$ 10 bilhões destinado a promover o desenvolvimento humano na região por meio da educação.
De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do FEM, a fundação vai gerenciar uma série de iniciativas como a criação de programas e centros de pesquisa de alta qualidade, a concessão de bolsas para que estudantes locais possam freqüentar as principais universidades, o apoio à pesquisa em universidades da região, programas de capacitação para jovens para atuação no governo, na iniciativa privada e em organizações não governamentais e concessão de bolsas para escritores e pesquisadores.
"Me dá grande prazer anunciar uma iniciativa pessoal que tem como objetivo construir uma sociedade baseada no conhecimento na região", disse Maktoum, que é também governante de Dubai. "A missão da fundação é investir em conhecimento e no desenvolvimento humano, visando a pesquisa, a educação e a promoção da igualdade de condições e o sucesso dos nossos jovens. Os programas da Fundação terão também como objetivo aumentar a qualificação dos acadêmicos e intelectuais do mundo árabe", acrescentou ele, segundo a nota do FEM.
De acordo com o FEM, a iniciativa é a maior do gênero já anunciada na região e vai implantar a infra-estrutura necessária para encorajar a criação e disseminação de conhecimento. Durante o encontro, Maktoum disse que é preciso diminuir a distância entre o mundo árabe e os países desenvolvidos.
Ele afirmou, por exemplo, que o analfabetismo atinge 18% da população com menos de 15 anos na região e 43% das mulheres. Além disso, de acordo com Maktoum, para cada 100 mil livros publicados na América do Norte, 42 mil são lançados na América do Sul e apenas 6,5 mil no mundo árabe.
Ainda segundo Maktoum, o mundo árabe gasta apenas 0,02% do seu Produto Interno Bruto (PIB) com pesquisa científica, enquanto que os países desenvolvidos aplicam entre 2,5% e 5%. Ele acrescentou que a região precisa criar imediatamente 15 milhões de empregos, pois a taxa de desemprego é de 14%, e entre 74 milhões e 85 milhões nos próximos 20 anos, sendo que o ambiente de negócio tem que ser melhorado para que estes números sejam atingidos.
Principal conclusão
A necessidade de maiores investimentos nos jovens foi uma das principais conclusões da reunião do FEM na Jordânia, que terminou ontem (20). Segundo a organização, o desenvolvimento econômico e os recursos gerados pelo petróleo têm que ser urgentemente revertidos para investimento nas pessoas, especialmente nos jovens.
"Estamos no limiar de um novo Oriente Médio, jovem, empreendedor e poderoso", disse o CEO da Mubadala Development Company, Khaldoon Al Mubarak", segundo nota do FEM. A Mubadala é uma empresa de investimentos que pertence ao emirado de Abu Dhabi. O encontro reuniu mais de 1,2 mil pessoas de 56 países na região jordaniana do Mar Vermelho.
De acordo com o FEM, os participantes destacaram a necessidade de uma reforma radical na educação no mundo árabe, para que ela atenda às demandas do mundo globalizado. Segundo a organização, o sistema educacional tem que imbuir na nova geração conceitos como a assunção de riscos, empreendedorismo, disposição para aprender com os erros, tolerar os erros dos outros, meritocracia e cidadania.
Neste mesmo sentido, a rainha Rania, da Jordânia, ressaltou a necessidade de que parcerias entre os setores público e privado ajudem a criar uma cultura de doação e voluntariado na região por meio do engajamento cívico, da responsabilidade social e de ações conjuntas. Para ela, engajamento cívico é mais do que fazer caridade e, já que a riqueza em certas partes do mundo árabe tem crescido de maneira nunca vista, as empresas, governos e a sociedade civil têm que trabalhar juntas para enfrentar os problemas sociais em suas raízes.

