Da redação
São Paulo – Apesar de vários hotéis terem sido inaugurados nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos ainda precisam de mais investimentos nesse setor para atender ao crescimento da demanda provocado pelo boom turístico e econômico do país. A avaliação foi feita por especialistas em entrevista ao jornal árabe Khaleej Times.
A cidade de Dubai, pólo econômico do país, é famosa por abrigar o hotel mais luxuoso do mundo, o Burj Al Arab. O empreendimento custou mais de US$ 6 bilhões para ser construído e, hoje, uma diária pode custar até US$ 18 mil.
Para os analistas, no entanto, faltam nos Emirados hotéis de duas e três estrelas, que atraiam turistas de classes econômicas. Eles também acreditam que o país precisa de mais empreendimentos de categoria residencial, para abrigar executivos que precisam ficar longos períodos no país.
A avaliação faz parte de uma segunda fase da indústria hoteleira doméstica. Nos últimos anos, o setor se desenvolveu e passou a contribuir de forma significativa para a economia local. Estudos mostram que, hoje, os turistas gastam em média 32% de seus orçamentos de viagem em hotéis.
"Perto de casa"
Para os próximos anos, a expectativa é de que o fluxo de visitantes aumente nos Emirados e também no mundo árabe como um todo. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), a entrada de turistas no Oriente Médio deve aumentar a uma taxa de 7,1% ao ano até 2020. A média mundial será de uma alta de 4,1%.
O aumento será puxado pelas viagens feitas pelos próprios árabes de países vizinhos, diz a OMT. Isso porque, diz o organismo, com a hostilidade gerada pela "guerra contra ao terror" promovida pelos Estados Unidos, os árabes estão preferindo "ficar perto de casa" e "visitar seus vizinhos".
Para o secretário-geral da OMT, Francesco Frangialli, essa mudança irá compensar a diminuição do fluxo de turistas de outras partes do mundo para o Oriente Médio, em razão de conflitos como os embates entre israelenses e palestinos e a guerra no Iraque.
Frangialli acrescentou que esse movimento já beneficiou o Oriente Médio em 2002, quando o fluxo de visitantes para a região cresceu 17%, para 27,6 milhões de pessoas, após um declínio de 1,3% no ano anterior. Ele afirmou ainda que "quando houver paz e estabilidade na Palestina e no Iraque, o turismo pode aumentar ainda mais".
Estudos estratégicos
A OMT quer contribuir para essa expansão, disse o secretário. Segundo ele, o organismo está elaborando estudos estratégicos para esse setor em países como a Arábia Saudita e o Kuwait, onde a indústria praticamente morreu após a invasão iraquiana em 1990.
Frangialli ressaltou que, hoje, o turismo é prioridade em muitos países do Oriente Médio. Para ele, o "estalo" ocorreu após os atentados terroristas de 11 de setembro nos EUA. Na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes, por exemplo, o número de chegadas de visitantes estrangeiros aumentou mais de 30% em 2002. Em Bahrein e na Arábia Saudita, as altas foram de 14% e 12%, respectivamente.
Déficit de aviões
Os países árabes também vêm investindo em infra-estrutura para atender à alta demanda turística. Além de novos projetos de hotéis, há planos de ampliar os investimentos em infra-estrutura. Aeroportos estão sendo modernizados e novas empresas aéreas começam a ser inauguradas.
Nos Emirados, só no final do ano passado, foram abertas duas novas companhias de aviação: a Air Arabia e a Etihad Airlines. Isso abre oportunidades de negócios para empresas brasileiras.
A Etihad, por exemplo, começou a operar com dois aviões alugados da TAM e está em negociações para comprar aviões. Como o foco dessas companhias é o mercado local, elas precisam de aviões de médio porte, e já estão em negociação com fabricantes como Embraer e Bombardier.

