Isaura Daniel
São Paulo – Os Emirados Árabes Unidos foram o segundo maior destino dos produtos exportados por cooperativas brasileiras entre os meses de janeiro e setembro deste ano, atrás apenas da China. Das seis milhões de toneladas vendidas por elas no mercado internacional no período, 685 milhões, ou 11%, foram remetidas ao país do Oriente Médio.
Foi com os Emirados também que as cooperativas nacionais obtiveram a terceira maior receita de exportações. As vendas para o país renderam US$ 112 milhões, valor menor apenas que o obtido com os embarques para a China e Alemanha.
"As cooperativas estão consolidando e também abrindo novos mercados nos países árabes", diz o assessor técnico da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Júlio Pohl. Até setembro do ano passado, eram 16 as nações árabes que importavam produtos de cooperativas brasileiras, número que passou a 19 neste ano.
Entre os novos compradores estão Iraque, Jordânia e Líbia. Já estavam na lista de clientes os Emirados, Argélia, Marrocos, Arábia Saudita, Síria, Egito, Tunísia, Iêmen, Mauritânia, Kuwait, Omã, Líbano, Catar, Djibuti, Ilhas Comores e Bahrein.
Juntos, os países árabes compraram US$ 262,6 milhões das cooperativas brasileiras nos nove primeiros meses do ano, valor 66,2% maior do que no mesmo período de 2003. O percentual ficou um pouco acima do aumento das exportações das cooperativas de maneira geral, que foi de 61%.
Elas exportaram um total de US$ 1,6 bilhão para 117 países entre janeiro e setembro, US$ 611 milhões a mais do que os US$ 999 milhões do mesmo período do ano passado. De acordo com Pohl, as receitas com os embarques devem chegar a US$ 1,8 bilhão até o final do ano. Ele ressaltou, porém, que esta é uma estimativa conservadora, pois o valor poderá ser maior.
Os principais produtos de cooperativas importados pelos árabes foram o açúcar e as carnes de frango e bovina. Dos US$ 112 milhões gastos pelos Emirados, por exemplo, US$ 60 milhões corresponderam ao açúcar. "Mas as exportações de frango e carne bovina para os Emirados também cresceram", diz Pohl.
Na lista dos principais produtos vendidos ao país por cooperativas nacionais também estão as maçãs. O crescimento das exportações para os Emirados, no período, foi de 48,5% em faturamento e 58,3% em volume.
Para alguns países árabes o crescimento dos embarques foi ainda maior, apesar deles importarem volumes menores. É o caso da Argélia, que passou de compras de US$ 184 mil entre janeiro e setembro de 2003, para US$ 41,2 milhões nos mesmos meses de 2004. A Argélia é o segundo país árabe que mais comprou mercadorias de cooperativas brasileiras. Já as vendas para a Tunísia saíram de US$ 2,6 milhões para US$ 6,7 milhões, e para Síria de US$ 1,1 milhão para US$ 11 milhões.
Por outro lado, as compras do Marrocos caíram 1,8%, as do Egito 34%, as de Omã 21%, as do Líbano 53%, as do Catar 51%, as do Djibuti e Bahrein 97%. Exceto o Egito, porém, nenhum destes países compra mais do que US$ 10 milhões. "No caso do Egito, a queda deve ter ocorrido em função de variações nas datas de embarques de açúcar", afirma o assessor técnico da OCB.
De acordo com Pohl, o mercado árabe vem sendo conquistado pelas cooperativas principalmente por meio da participação em feiras na região. O fato dessas entidades reunirem vários produtores acaba dando ganho de escala a elas e também facilita sua inserção no mercado internacional. "Além de poder oferecer um preço menor por causa dos grandes volumes vendidos, elas também têm redução de custos quando compram insumos de forma conjunta", explica.
Existem hoje no Brasil 7.355 cooperativas, das quais 1.519 são agropecuárias, 1.115 de crédito e 2.024 de trabalho, só para citar as principais. As cooperativas agropecuárias são as que empregam o maior número de pessoas. Até o ano passado, elas mantinham 110,9 mil funcionários. Também há no país um total de 940 mil agricultores associados a cooperativas.
Produção que vem do Paraná
O Paraná é o estado brasileiro onde as cooperativas mais exportam. Dos US$ 1,6 bilhão vendidos pelas cooperativas nacionais entre janeiro e setembro, US$ 847,8 milhões foram faturados pelos paranaenses. Elas aumentaram sua receita com exportações em 59,1% no período e o volume de embarques em 35%.
De acordo com estimativas do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), as vendas devem chegar a US$ 1 bilhão até o final de dezembro. As cooperativas paranaenses exportam para mais de 60 países. Os produtos vão desde soja em grão, farelo e óleo, frango, milho, café, açúcar, carne suína, algodão, sucos, trigo e até conservas, seda e queijos.
São Paulo é o segundo estado onde as cooperativas mais exportam. Logo após estão Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. As cooperativas agrícolas respondem por grande parte da produção brasileira de grãos. No caso do trigo, elas representam 62,19%. Na área de cevada as cooperativas são responsáveis por 44% da produção, em aveia por 39,2%, em leite por 39,7%, algodão 38,9%, suínos 31,5% e soja 29,4%.

