São Paulo – As exportações de revestimentos cerâmicos do Brasil para os Emirados Árabes Unidos saíram de US$ 400 no ano 2000 para US$ 4,3 milhões no ano passado. O dado faz parte de um levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), que mostra também que os oito maiores compradores do produto brasileiro no mundo árabe importaram US$ 6,5 milhões em 2008 no total, contra US$ 260 mil em 2000.
Os valores obtidos com vendas à região ainda são pequenos diante do total exportado pelo setor, mas o superintendente da Anfacer, Antonio Carlos Kieling, ressalta o crescimento. “Independente de valores, houve um aumento da nossa presença na região”, afirma. Ele lembra que um mercado leva três a quatro anos de trabalho para ser conquistado e que o segmento participa da Big 5 Show, feira de construção em Dubai, há cerca de três anos.
No mundo árabe, os oitos maiores compradores de revestimentos cerâmicos do Brasil, em 2008, foram Emirados, Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein, Mauritânia, Kuwait, Catar e Líbano. A Arábia Saudita passou de importações de US$ 143,1 mil em 2000 para US$ 661,2 mil, a Jordânia não comprou nada em 2000 e US$ 628,3 mil no ano passado, e o Bahrein foi de US$ 50,1 mil para US$ 320 mil no mesmo período.
O superintendente da Anfacer afirma que as empresas do setor, por meio da entidade, decidiram há seis anos diversificar os seus mercados no exterior, que até então estavam muito concentrados na América do Norte. “Não tinha crise, mas decidimos que não queríamos mais depender do mercado norte-americano”, afirma. Desde lá, as regiões para as quais as vendas mais cresceram foram América Latina e Oriente Médio.
Para ganhar mercado no Oriente Médio, o setor participou de feiras, missões, e as empresas estabeleceram representações comerciais e distribuidores nos países da região. Os Emirados acabaram se mostrando o maior mercado, entre os árabes, mas Kieling ressalta também o crescimento ocorrido nas vendas para a Arábia Saudita. São vendidos aos árabes produtos de uso em larga escala nas edificações e também mais artesanais, para acabamento.
A Anfacer prevê exportações de cerca de US$ 350 milhões para os revestimentos cerâmicos em 2009. No ano passado, a receita com o mercado externo ficou em US$ 364 milhões. “O mercado internacional não reagiu tão rápido como esperávamos”, afirma Kieling. No mercado doméstico deve haver crescimento de 2% a 2,5% nas vendas.

