Isaura Daniel
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São Paulo – O governo dos Emirados Árabes Unidos está fazendo vários investimentos em infra-estrutura e o setor de construção do país está aberto às empresas brasileiras. A afirmação é do embaixador dos Emirados em Brasília, Yousuf Ali Al Usaimi. "O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou a destinação de 5,2% do seu orçamento para o período 2007/2008 para projetos de infra-estrutura, que incluem a modernização de aeroportos e portos, construção de novas estradas, hospitais e escolas, além de outros projetos. Esta área está aberta a todos, incluindo as empresas brasileiras", disse o diplomata em entrevista à ANBA, referindo-se às oportunidades que os empresários brasileiros setor podem encontrar na viagem que farão para os Emirados neste mês.
Os Emirados Árabes serão visitados pela missão que a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex-Brasil) e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira promovem para o Golfo Arábico entre o próximo domingo (18) e o dia 30 de novembro. A delegação vai ficar no país árabe entre os dias 23 e 30. Antes, o grupo vai passar pelo Kuwait e pelo Catar. Nos Emirados, além de conhecer o mercado de construção local, parte das empresas brasileiras vai expor na Big 5 Show, feira do segmento de construção que ocorre entre os dias 25 e 29 de novembro no World Trade Centre Dubai. Um total de 20 empresas brasileiras vai participar da missão e 28 serão expositoras na mostra. A feira deve gerar negócios imediatos de US$ 8 milhões, segundo a Apex, e de US$ 25 milhões nos 12 meses seguintes.
A construção, de acordo com Al Usaimi, é considerada hoje um dos mais importantes e prósperos setores da economia dos Emirados em função da política adotada pelo governo e dos projetos bem sucedidos que atraem as atenções de países do mundo inteiro. "A visita desta missão é mais uma prova da consolidação e do desenvolvimento das relações entre Emirados Árabes Unidos e Brasil. Não há como não obter frutos positivos para ambas as partes, devido ao grande desenvolvimento do setor de construção civil e ao lugar de destaque que os Emirados Árabes Unidos ocupam neste setor, que requer mais parcerias com os países grandes, tais como o Brasil", afirma o diplomata.
O embaixador lembra que as relações entre os dois países já tiveram um grande crescimento nos últimos tempos, especialmente em função de troca de missões oficiais e também empresariais. De fato, nos primeiros dez meses deste ano o país árabe importou do Brasil o equivalente a US$ 1,02 bilhão. No mesmo período do ano 2000, as exportações brasileiras para os Emirados estavam em US$ 189 milhões. O mesmo ocorreu na outra mão. Os Emirados, que exportaram para o Brasil US$ 40 milhões entre janeiro e outubro do ano 2000, aumentaram as vendas para US$ 272 milhões no mesmo período deste ano. Os Emirados vendem para o Brasil principalmente óleo diesel, querosene para aviação, gases e peças de confecção. Já o Brasil exporta para eles principalmente alimentos como carnes e açúcar.
De acordo com informações da embaixada dos Emirados em Brasília, o país árabe teve crescimento nominal de 23,4% no produto interno bruto (PIB) no ano passado, com US$ 163,2 bilhões. Al Usaimi lembra que os Emirados ocupam o 37º lugar em competitividade internacional, segundo relatório 2007/2008 do Fórum Econômico Mundial. "Os Emirados Árabes Unidos dão boas vindas aos empresários brasileiros para construir novas parcerias", diz o embaixador. A missão brasileira vai visitar, nos Emirados, centros de compras como o Ibn Batuta e Emirates Shopping Mall, hotéis como o Al-Qasr e o Burj Al Arab, a incorporadora Emaar e alguns dos seus projetos. Também será feita uma visita ao centro de distribuição da Apex no país e ao Departamento de Promoção do Turismo e Negócios de Dubai, entre outras atividades.
Os Emirados estão fazendo esforço para diversificar as suas atividades econômicas, mas o petróleo e o gás ainda têm uma grande importância local. O emirado de Abu Dhabi é o maior produtor de petróleo, além de grande exportador de gás natural. Dubai é considerado um centro de comércio e serviços. A reexportação de produtos também gera uma receita significativa para o país.

