São Paulo – Os Emirados Árabes Unidos podem ser um caminho para chegar a um mercado de 1,1 bilhão de consumidores. Toda essa população não existe no país árabe, mas está na Índia, nação que divide a costa do Mar da Arábia com Emirados e que tem neles um dos seus fornecedores mundiais. Os Emirados não apenas exportam para o mercado indiano, como reexportam produtos vindos de outras partes do mundo. No ano passado, o país do Golfo Arábico enviou aos indianos 32,8 bilhões de dihrams, o equivalente a US$ 8,9 bilhões, em mercadorias reexportadas. Os dados foram compilados pelo Departamento de Desenvolvimento de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
No ano passado houve um aumento de 51% nas reexportações dos Emirados Árabes Unidos para a Índia sobre o ano anterior, quando elas estavam em 21,6 bilhões de dihrams, iguais a US$ 5,9 bilhões. Os produtos mais reexportados foram metais preciosos. Só neste produto a receita das vendas foi de 31,2 bilhões de dihramns, o equivalente a US$ 8,5 bilhões. O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, afirma que o Brasil pode aproveitar setores em que os Emirados Árabes já são fortes fornecedores para a Índia, como o de pedras preciosas, por exemplo, para inserir os seus produtos.
Além de metais preciosos, os Emirados Árabes Unidos reexportam para a Índia metais e seus produtos, vegetais, máquinas e equipamentos eletrônicos e elétricos, artigos têxteis, produtos químicos, plásticos, minerais, comidas preparadas, animais vivos, pedras, cimento, cerâmica, produtos de vidro, veículos e equipamentos de transportes, celulose, cortiça e papel, móveis, brinquedos e produtos esportivos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, flores, instrumentos óticos, médicos e de medição, relógios, madeiras, feno, cestaria, óleos vegetais e animais e obras de arte.
O secretário-geral da Câmara Árabe lembra que Dubai já atua há muito tempo como um centro de reexportação. O emirado já tem uma toda uma estrutura logística e financeira de apoio à exportação. Por isso, de acordo com ele, pode ser uma alternativa para chegar também a outros países. Além da Índia, Dubai abastece mercados nos arredores, como Irã, Afeganistão, China, Paquistão, Uzbequistão. “Os países da ex-República Soviética têm relações com Dubai”, afirma Alaby.
Com a Índia, o Brasil tem alguns benefícios nas exportações, já que o Mercosul tem um acordo de preferências tarifárias com o país asiático. O tratado dá benefícios para 500 produtos, mas não para produtos agrícolas, que estão entre os pontos fortes da exportação brasileira. Na verdade, a exportação total do Brasil para o mercado indiano alcançou, no ano passado, US$ 1,1 bilhão, um oitavo do que os Emirados reexportam para a Índia. O valor reexportado também fica próximo do que o Brasil exporta para todos os países da Liga Árabe: US$ 9,8 bilhões no ano passado.

