Alexandre Rocha
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São Paulo – O presidente e diretor-executivo do Grupo Emirates, que inclui a Emirates Airline, Ahmed Bin Saeed Al-Maktoum, disse ontem (11), em entrevista coletiva realizada em São Paulo, que suas empresas estão abertas para outras oportunidades de investimentos no Brasil, além do recém inaugurado vôo direto entre Dubai e São Paulo. "Temos investimentos ao redor do mundo e se houver boas oportunidades vamos sempre considerar fazer algo", disse.
Também faz parte do grupo a Dnata, companhia que oferece serviços de solo no Aeroporto Internacional de Dubai e que atua como agência de viagens. O conglomerado opera ainda na área de hotelaria. Neste sentido, Al-Maktoum afirmou que o principal interesse da empresa, além da aviação, é no negócio de hospedagem. "Estamos abertos ao que for bom para os dois países, ao que fortaleça a relação que já temos", declarou.
O presidente da Emirates Airline, Tim Clark, acrescentou que a companhia tem interesse na prestação de serviços de solo no Brasil. Al-Maktoum foi ainda mais adiante. Ele é presidente também da Dubai Aerospace Enterprise (DAE), empresa que atua em diversos ramos da aviação, inclusive administração aeroportuária. À ANBA, o empresário árabe afirmou que a DAE pode considerar entrar neste segmento no Brasil.
Para começar a operar no Brasil, segundo os dois executivos, a Emirates já investiu cerca de US$ 400 milhões, só na compra dos dois Boeings 777-200 LR que voam na rota Dubai-São Paulo. Além de estudar novos negócios, Al-Maktoum disse que vai encorajar outros investidores de Dubai a conhecer as oportunidades existentes no Brasil.
Resultados
Os diretores da empresa se mostraram entusiasmados com os resultados obtidos desde o primeiro vôo, no dia 01 de outubro. Como exemplo, Tim Clark disse que o avião que saiu de São Paulo para Dubai na quarta-feira (10) à noite levou 223 passageiros e 17 toneladas de carga. Já a aeronave que trouxe Al-Maktoum ao Brasil na terça-feira teve 94% de ocupação. Os Boeing 777-200 LR têm capacidade para levar 266 pessoas e 18 toneladas de carga.
"Normalmente não temos resultados tão rápidos, mas achávamos que isto iria ocorrer, pois estamos analisando este mercado há quatro anos, olhando o tráfego, para onde vai, quem opera, quais são as escalas, etc.", disse Tim Clark. Daí a aposta da empresa no transporte de passageiros não só para Dubai, mas também de e para outros destinos oferecidos, principalmente no Oriente Médio, Ásia e Oceania. A companhia estuda também voar para outras cidades na América do Sul, como Buenos Aires.
Em jantar organizado pela Emirates na quarta-feira, em São Paulo, Al-Maktoum agradeceu o apoio que a empresa recebeu do governo, das autoridades aeroportuárias e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Frente ao desempenho, Al-Maktoum disse que o número de vôos será ampliado dos atuais seis por semana para sete em julho do ano que vem. Ele disse ainda que a empresa poderá utilizar o novo Airbus A-380 na rota. Apelidado de "Superjumbo", o A-380 é o maior avião de passageiros da atualidade e deve começar a ser operado pela Emirates em agosto de 2008. A companhia encomendou 55 unidades da aeronave com configurações que variam de 489 a 644 assentos.
Clark afirmou que no encontro que teve com Al-Maktoum na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou muito interessado na possibilidade da empresa trazer o Superjumbo ao Brasil e chegou a desenhar numa folha de papel uma pista de aeroporto e a perguntar sobre eventuais obstáculos para a decolagem de um avião tão grande. Lula garantiu, segundo Clark, que o governo resolverá qualquer problema que possa atrapalhar a operação da aeronave no Aeroporto Internacional de São Paulo. Para Clark, porém, Cumbica não tem limitações que impeçam o uso do A-380, e outras companhias internacionais também deverão utilizar o modelo no Brasil.
A Emirates não descarta também outras ações no país, como o patrocínio a clubes de futebol. Na Europa a empresa patrocina times como o Arsenal, Hamburgo, Paris-Saint Germain, Milan e a própria Fifa.
Ainda ontem, Al-Maktoum foi recebido pelo governador do estado de São Paulo, José Serra, e pelo prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab. Ele estava acompanhado do presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., diplomatas e executivos da Emirates.

