São Paulo – A Euromed, empresa egípcia que fabrica produtos médicos, aposta no mercado brasileiro e pretende abrir uma subsidiária em São Paulo em breve. A informação é do vice-presidente da companhia, Wael Reda Abdou, que esteve na capital paulista na semana passada.
“Queremos criar uma empresa aqui para dar consultoria e fazer o marketing dos nossos produtos”, disse o empresário à ANBA. Esta é uma das ações que a companhia pretende promover para ampliar significativamente suas exportações ao Brasil.
De acordo com Abdou, a Euromed vende o equivalente a US$ 500 mil por mês em mercadorias como seringas e cateteres ao mercado brasileiro, o que dá US$ 6 milhões por ano. Até 2014, ele pretende aumentar as exportações para US$ 50 milhões anuais.
O executivo afirmou que o Brasil é um mercado que exige mais qualidade do que quantidade e que os requisitos dos órgãos de fiscalização, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), são mais rigorosos do que os praticados na Europa e nos Estados Unidos.
Abdou afirmou que a fábrica adaptou seus produtos para o Brasil e agora colhe os frutos de um trabalho que demandou paciência. A primeira investida da empresa no país ocorreu em 2004, quando ela expôs na Hospitalar, feira do ramo que ocorre em São Paulo.
"De 2004 a 2008 nós participamos [da feira] todos os anos sem vender nada, mas tínhamos percebido o potencial da região. Agora estamos ganhando com nossa paciência", declarou o empresário. De posse dessa experiência, Abdou pretende usar sua filial no Brasil para dar consultoria a outras empresas árabes interessadas em entrar no mercado brasileiro.
A Euromed, segundo ele, tem 450 funcionários em sua fábrica no Cairo. Além de atender ao mercado egípcio, a companhia exporta para 37 países de diferentes regiões, especialmente Europa, África e Oriente Médio. O Brasil está hoje entre os principais destinos.
Convite a Lula
Abdou é também vice-presidente do Conselho Empresarial Brasil-Egito. Nesse sentido, além de seus próprios negócios, ele esteve no Brasil para tratar de assuntos de interesse geral das empresas que atuam no comércio bilateral.
Entre os temas que interessam ao Conselho está a criação de uma linha marítima direta entre os dois países para diminuir o tempo de transporte de cargas. Atualmente, de acordo com o executivo, uma remessa do Egito para cá, com necessidade de transbordo em outro país, chega a demorar quase um mês. Ele acredita que, só com essa facilitação, suas vendas ao Brasil poderiam dobrar.
Outro assunto de interesse do órgão é aprovação pelo Congresso brasileiro do acordo de livre comércio assinado no ano passado pelo Egito e o Mercosul. O empresário acredita que, no caso egípcio, o tratado deve ser ratificado pelo governo de transição, comandado pelos militares, antes mesmo da realização de eleições no país.
Com a saída de Hosni Mubarak, que governou o Egito por 30 anos, frente aos protestos populares que ocorreram no país este ano, Abdou disse que está ocorrendo um "renascimento egípcio". Ele está otimista com o futuro e crê ser possível melhorar o que já era bom no país e consertar o que era ruim.
A economia, por exemplo, disse o executivo, caminhou muito bem nos últimos anos e o Egito recebeu muitos investimentos externos, mas o mesmo não ocorreu nas áreas política e social. O desafio agora é fazer essas três coisas andarem juntas.
Nesse sentido, o Conselho convidou o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para visitar o Egito e participar de uma "grande conferência" para falar para diferentes estratos da sociedade egípcia sobre a experiência recente do Brasil. Abdou se encontrou com Lula na segunda-feira passada, durante homenagem ao ex-presidente realizada pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) no Clube Monte Líbano, em São Paulo.
A percepção, de acordo com ele, é de que o Brasil passou por uma transição semelhante e agora consegue conciliar crescimento econômico com democracia e inclusão social, o que pode servir de exemplo para o Egito.
Segundo Abdou, o Brasil e Lula são "inspiradores para o povo egípcio". "Ele (Lula) pode fazer um ‘roadmap’ adaptado à nossa cultura", ressaltou o empresário.
O próprio Lula falou sobre esse tema – do Brasil como exemplo de transição democrática – em um fórum promovido recentemente pela rede de TV Aljazeera, em Doha no Catar. O presidente norte-americano, Barack Obama, foi outro que elogiou o modelo brasileiro em visita ao país há poucos mais de uma semana.
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