Isaura Daniel
São Paulo – Uma trading da Líbia chamada El Ssad pretende investir na construção de uma usina de açúcar no Paraná. O proprietário da empresa, Giuma Ali Al-Usta, virá ao Brasil até o dia 20 deste mês para negociar com representantes da Cooperativa Agroindustrial de Produtores de Cana de Rondon, a Cocarol, com sede na cidade paranaense de Rondon, no noroeste do estado. A Cocarol possui uma usina de álcool e está começando a construção de uma de açúcar.
De acordo com informações de Crebil Ferman, um dos sócios da Global Guiders, trading brasileira com sede no Rio de Janeiro que está intermediando o negócio, a intenção da empresa líbia é aportar capital para depois importar a produção. A usina deverá produzir entre 100 e 150 mil toneladas de açúcar por mês e tem entrada em operação prevista para maio de 2006. A construção vai demandar investimentos de US$ 15 milhões, dos quais US$ 12 milhões para instalações e equipamentos e US$ 3 milhões para capital de giro.
A mesma empresa líbia, que importa açúcar do Brasil por meio da Global Guiders desde fevereiro, também tem interesse em construir uma usina de açúcar em Trípoli, com tecnologia brasileira. Durante a estadia no Brasil, o proprietário da El Ssad vai procurar parceiros para isso e pretende inclusive contratar empresas brasileiras para construir o empreendimento. Uma das possibilidades, de acordo com Ferman, é que o negócio seja fechado com a própria Cocarol.
Global Guiders
A Global Guiders exporta açúcar para a Líbia e a Síria. O volume enviado ainda é pequeno, já que as vendas começaram há cerca de um mês, mas, de acordo com Ferman, devem passar a 50 mil toneladas mensais a partir de maio. A empresa foi criada há cerca de dois anos e trabalha com exportações para os países árabes.
O açúcar é um dos principais produtos da pauta de exportação do Brasil para as nações da Liga Árabe. No ano passado, dos US$ 4 bilhões faturados pelo país com vendas para a região, US$ 1 bilhão correspondeu à commodity. A Síria comprou US$ 90 milhões e a Líbia US$ 12 milhões. "O preço do açúcar brasileiro é competitivo em função da tecnologia de produção que o país tem", afirma Ferman.
Açúcar para sírios
Além do líbio, também um empresário de uma companhia síria, a Rimco International, virá ao Brasil no mês de maio de olho no açúcar nacional. Raymond Kalpakji, proprietário da empresa, que atua com importações, fará um tour por usinas de açúcar e fábricas de café do Brasil com o objetivo de aumentar as compras dos dois produtos.
O empresário árabe visitará empresas no Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo. Entre elas estão o Café Tiradentes, de Santo André, o Café Iguatemi, de Ribeirão Preto, e a paranaense Cocarol. A Rimco firmou uma parceira com a Global Guiders em março e já importa commodities do Brasil. A trading procura mercado para produtos brasileiros na Síria e depois os importa com o auxílio da Global Guiders.
Crystalsev
Outras empresas sírias já possuem parcerias com o Brasil na área de açúcar. A Crystalsev, empresa brasileira do ramo sucroalcooleiro de Ribeirão Preto, firmou no ano passado uma parceria para construir uma usina de açúcar em Homs, na Síria, em conjunto com as empresas locais Assaf Invest, Shugar Invest e Shugar Mezzinine, além da Cargill África.
A usina deve entrar em operação no segundo semestre deste ano. A produção deverá variar entre 400 a 500 mil toneladas ao ano para abastecer os mercados da Síria, Jordânia e Líbano. Foi o primeiro investimento da Crystalsev fora do país.
Contato:
Global Guiders
+55 (21) 2220 3519

