São Paulo – A empresa saudita Nomas Trading, distribuidora de equipamentos médico-hospitalares, está em São Paulo em busca de novos distribuidores para aumentar, em três anos, cerca de 10% suas importações brasileiras. A companhia é uma das 20 compradoras internacionais que participam das rodadas de negócios da Abimo em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) na feira Hospitalar, no Expo Center Norte, em São Paulo.
“Vi que muitas empresas têm tecnologia avançada nesse setor. Algumas têm produtos de boa qualidade. Acredito que devo fechar negócios”, afirmou o gerente de vendas e marketing da empresa, Mohammed S. Daqqa, que busca por mesas operatórias, lavatórios, instrumentos cirúrgicos, incubadoras, refrigeradores, mobília hospitalar, sistema de luzes para operação, entre outros acessórios e equipamentos.
De acordo com Daqqa, a empresa importa cerca de US$ 30 milhões por ano em equipamentos médico-hospitalares. Entre seus principais fornecedores estão a Alsa, da Itália; Albyn, do Reino Unido; Belimed, da Suíça; Bitmos, da Alemanha; MAC Medical, dos Estados Unidos e a Fanem, do Brasil. “Somos representantes da Fanem há 10 anos”, disse o gerente.
Outra empresa árabe presente na rodada é a Ebn Sina Medical, do Catar, importadora de equipamentos, remédios e acessórios médico-hospitalares. Segundo a gerente-geral da empresa, Amina Bader, a companhia ainda não importa do Brasil e veio para conhecer os produtos. “Somos a número 1 em distribuição no Catar”, disse Amina. “Até agora, os contatos realizados foram promissores. Esperamos fazer bons negócios”, acrescentou.
A companhia do Catar, que atua no país desde 1971, abriu uma filial no Barhein este ano e tem planos de expandir para outros países do Golfo e para isso, quer novas marcas e produtos. Outra empresa que também quer começar a importar do Brasil é a libanesa Kettaneh, que atua em diversos setores. No segmento médico-hospitalar, o gerente da divisão de médica, Pierre Ayoub, busca por materiais descartáveis, como cateteres, luvas, seringas, entre outros.
“Distribuímos para hospitais, farmácias e clínicas do Líbano, Egito e Jordânia”, afirmou Ayoub. A distribuição fora do Líbano é realizada pelas filiais da empresa em cada país. Os principais mercados fornecedores da empresa são Europa, Estados Unidos e China. “Os brasileiros são muito agradáveis. Acho que vai ser fácil fazer negócio”, acrescentou.
As brasileiras
Entre as empresas brasileiras que se reuniram com compradores árabes estava a Fabinject, fabricante de acessórios para dermatologia e tratamentos estéticos. A companhia, com sede em Taubaté, interior de São Paulo, ainda não exporta e está começando agora a buscar o mercado externo. Outra brasileira que está de olho no mercado árabe é a KW, de tecnologia eletrônica. A empresa já exporta para os países árabes, mas quer aumentar as vendas.
No caso da brasileira Olidef, fabricante de equipamentos para neonatalogia, como incubadoras e berços aquecidos, a assistente de exportação Ana Carolina Meda, acredita que o mercado árabe é uma boa alternativa para compensar as vendas aos mercados afetados pela crise. Há seis anos no mercado externo, a Olidef já exporta 35% de sua produção para diversos países, entre eles Egito, Argélia, Arábia Saudita, Líbano e Jordânia.
“Os encontros foram bem positivos. Temos um preço acessível e um produto com qualidade superior ao do mercado chinês”, disse Ana Carolina, que busca por um grande distribuidor na Arábia Saudita. “É um país que é bom comprador e preza por qualidade”, acrescentou.
De acordo com o diretor-executivo da Abimo, Hely Maestrello, é muito importante essa aproximação dos árabes com os brasileiros na feira. “Eles desconhecem o potencial tecnológico brasileiro”, afirmou. “A idéia de trazê-los nesses encontros é de mudar a imagem que eles têm do Brasil”, acrescentou.
Maestrello também acha que o mercado árabe é uma boa alternativa para as empresas brasileiras exportarem. “Além disso, os árabes têm muita empatia pelos brasileiros”, disse.
Por outro lado, alguns empresários árabes ainda sentem uma falta de preparo por parte dos brasileiros interessados em exportar. “Muitas empresas não estão preparadas para exportar. Não falam um bom inglês e não têm catálogos e nem embalagens de produtos em mais de uma língua”, afirmou o gerente de marketing e vendas da Arab Supply, Mohamed Shamsul Alam, da Arábia Saudita.
Daqqa, também da Arábia Saudita, disse que os produtos brasileiros têm preço similar aos produtos europeus, mas não têm a mesma fama. “O Brasil precisa trabalhar mais nessa questão ou procurar matéria-prima mais barata”, afirmou.
De acordo com Alam, o Brasil precisa divulgar mais seus produtos no exterior. “Fiquei muito impressionado com a qualidade e tecnologia brasileira. Eu não fazia ideia que o Brasil era tão avançado”, disse o gerente da Arab Supply.

