Marina Sarruf
São Paulo – Empresários árabes fecharam negócios na Francal, maior feira da América Latina, que termina hoje (07) em São Paulo. Dois importadores libaneses, da loja King Street, fecharam um pedido de sapatos masculinos e femininos para a coleção primavera-verão da empresa Toni Salloum, de Franca, interior de São Paulo. "Eles já são nossos clientes. Até o final do ano devemos exportar três mil pares para o Líbano", afirmou o diretor de exportação, George I. R. Filho.
Além de libaneses, o estande da Toni Salloum fez contatos com importadores da Síria. Segundo George, os sapatos da empresa são fabricados para marcas brasileiras de alto padrão, como Daslu, VR Menswear, Crawford e Brooksfield. Atualmente, a Toni Salloum exporta para 43 países, entre eles Líbano, Estados Unidos, Canadá, França, Japão e Chipre. "Começamos as vendas para o Líbano há dois anos, mas queremos ampliar as exportações para outros mercados árabes", disse George.
De acordo com ele, o próximo passo da empresa é participar da Motexha, feira de moda, que é realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. "Queremos mostrar na feira que produzimos um sapato de ótima qualidade, que pode ser comparado com os sapatos europeus", disse George. A Toni Salloum produz 1,5 mil pares de sapatos por dia, sendo 65% para exportação. A fábrica, que foi fundada a mais de 40 anos, emprega 230 funcionários.
Um outro detalhe da Toni Salloum que pode contribuir para a expansão do mercado árabe é que George é filho de sírios e fala árabe. "Isso nos aproxima do mercado, porque quando um árabe se encontra com outro árabe ele se sente mais confiante", explicou George.
Mais negócios
A Arezzo, fabricante de calçados femininos, também recebeu importadores árabes na Francal: um do Kuwait e dois dos Emirados Árabes. "Devemos fechar negócio com os Emirados na semana que vem", disse o gerente de exportação da empresa, Alysson Knapp Bakof. Segundo ele, durante a feira os importadores fizeram um pedido de amostras de mais de 30 pés, já que no caso de amostras é embarcado apenas um pé de cada par.
A empresa já conta com quatro franquias na Arábia Saudita, no entanto, ainda não exporta para os Emirados. "Estamos tentando ampliar as vendas para a região", disse Bakof.
Já a Klin, fabricante de calçados infantis, renovou seus contratos com seus clientes do Kuwait, Emirados Árabes, Síria e Arábia Saudita. "Todo ano eles participam da feira e conhecem a nova coleção", afirmou o gerente de exportação, Fabio Chalita. Além desses países, a empresa já exporta para Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Marrocos. Os calçados da Klin estão presentes em 65 países.
De acordo com Chalita, os principais calçados exportados para o mercado árabe são os de cores pretas, que a Klin fabrica exclusivamente para a região. Do total exportado para o mercado árabe, 60% são sapatos masculinos e 40% feminino. A empresa também tem planos de expandir as vendas para os demais países árabes. "Nossa meta é atingir todos os países árabes nos próximos dois anos", disse.
A Klin, que tem sede em Birigui, interior de São Paulo, produz 45 mil pares de sapatos por dia. A empresa exporta 35%, sendo 20% só para o mercado árabe. A Klin emprega 4,3 mil funcionários.
38ª edição
A Francal conta com mil expositores e espera receber três mil importadores e 60 mil visitantes até o encerramento. Nesta edição 25% dos expositores são de calçados femininos, 10% de masculinos, 8% infantil, 20% de acessórios em couro, 15% de bolsas, malas e mochilas, entre outros, como bijuterias, máquinas e componentes e serviços.
No ano passado, as exportações brasileiras de calçados somaram US$ 1,8 bilhão,um aumento de 4% com relação a 2004. Foram embarcados 190 milhões de pares de calçados para 123 países, sendo 12 nações árabes.

