Alexandre Rocha
São Paulo – Cada vez mais fabricantes brasileiros de móveis descobrem o mercado do Oriente Médio. Na semana passada, três importadores dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia estiveram no Rio Grande do Sul, onde visitaram 11 empresas do setor que ainda não exportavam para a região ou que queriam ampliar seus negócios. Os encontros renderam US$ 50 mil em pedidos imediatos para as companhias e perspectivas de pelo menos mais US$ 200 mil em contratos para os próximos 12 meses.
O contato foi viabilizado pelo programa Sebrae Export Móveis, mantido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e pela Associação das Indústrias de Móveis do estado do Rio Grande do Sul (Movergs).
"Os importadores ficaram impressionados com a qualidade dos produtos e com a tecnologia empregada. Eles não imaginavam que tínhamos fábricas tão avançadas", disse Ana Cristina Schneider, coordenadora do programa.
As empresas visitadas foram a Erval, Politorno, Bomtempo, Pilate, Masotti, BRV, THB, Carraro, Móveis Manfroi, Móveis Chies e Mobitec, localizadas nos municípios de Bento Gonçalves, Camaquã, Dois Irmãos, Gramado e São Marcos. Elas produzem uma vasta gama de móveis para salas de estar, jantar, dormitórios, escritórios, etc.
De acordo com Ana Cristina, um dos empresários árabes é um distribuidor que vende para toda a região do Golfo Arábico e os outros dois, além de distribuidores, são também lojistas. O Sebrae não revela o nome dos importadores. Segundo Ana Cristina, eles atuam em diversos nichos de mercado, o que é um fator positivo para as fábricas, já que elas produzem desde móveis para a classe A até produtos mais populares. "E isso é bom porque é difícil encontrar importadores com este perfil", declarou.
Ao todo, as encomendas feitas de pronto pelos empresários vão encher cinco contêineres de 40 pés. Ana Cristina disse que se tratam de amostras para testar a aceitação dos móveis no mercado árabe.
De acordo com ela, os negócios fechados e as perspectivas futuras surpreenderam os fabricantes gaúchos, que estavam um pouco céticos com as possibilidades por causa da valorização do real frente ao dólar.
Os empresários árabes vieram ao Brasil a convite do Sebrae Export e as despesas, num total de R$ 33 mil, foram divididas entre as companhias e a Apex. No total, 80 empresas participam do programa. No ano passado, as fábricas de móveis do estado exportaram o equivalente a US$ 280 milhões.

