Isaura Daniel
São Paulo – A Argentina tem potencial para dobrar ou até triplicar suas exportações para os países árabes. A afirmação é do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Argentina (CCAA), Sattam Al Kaddour, que fará parte da delegação oficial do país à cúpula dos países árabes e sul-americanos, que ocorre na próxima semana em Brasília. De acordo com Al Kaddour, os empresários argentinos participarão das atividades paralelas à reunião com o objetivo de aumentar o comércio com os países árabes.
A Argentina faturou US$ 2,1 bilhões com vendas para o mundo árabe no ano passado. O valor significa um aumento de 32% sobre a receita de US$ 1,6 bilhão obtida no ano anterior. De acordo com dados da CCAA, 6,5% das exportações do país têm como destino as nações árabes. "Estamos bem, mas isso não é o suficiente", afirma o secretário-geral. "No mundo árabe há falta de água, muito deserto, por exemplo, e nós temos água, temos minérios", diz.
Al Kaddour acredita que um dos caminhos para aumentar as vendas argentinas ao mercado árabe seria a criação de joint-ventures em setores como alimentos e minérios. O objetivo seria fabricar os produtos de forma conjunta na América do Sul para depois vender para o próprio Oriente Médio e Norte da África. "Os árabes compram minérios no Afeganistão, Paquistão e Índia, enquanto que aqui nós temos muito minério", lembra. Para que os árabes invistam na América do Sul, porém, Al Kaddour acredita que os governos devem fazer acordos para proteção de investimentos.
Entre os produtos mais exportados pela Argentina aos 22 países da Liga dos Estados Árabes estão commodities como trigo, milho e soja, além de canos para oleodutos. Esses produtos representam 69% das exportações. Os demais 30% são mercadorias com maior valor agregado. Os argentinos importam, porém, poucos produtos do mundo árabe. No ano passado gastaram apenas US$ 59 milhões com compras da região e no anterior US$ 35 milhões. As importações caíram desde 2000, quando a Argentina importava US$ 120 milhões em produtos árabes. Na lista de compras estão derivados de petróleo, fosfato, componentes para fertilizantes e algodão egípcio.
Representação
De acordo com o Ministério de Relações Exteriores da Argentina, além da CCAA, outras seis entidades e organismos argentinos estarão representados na capital federal brasileira na próxima semana. São a Agência de Desenvolvimento de Investimentos, Câmara Argentina Líbia de Comércio, Indústria, Produção e Serviços, Câmara de Comércio Argentina Brasileira, Câmara de Exportadores da República Argentina, Subsecretaria de Relações Internacionais e Cooperação da Província de Buenos Aires, e Secretaria de Turismo da Nação.
Entre as empresas participantes estarão a Bdesign Group, Cifa e Filon, Multilux, e Sol Schams. Elas são dos setores de alimentos, agricultura, pesca, químicos e eletrônicos.
Painel
A Argentina será responsável por um dos painéis que ocorrerá durante o fórum empresarial que será realizado paralelamente à cúpula, de 9 a 11 de maio, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O presidente da União Industrial Argentina, Hector Mendez, vai falar no painel "Fluxos de Comércio entre a América do Sul e os Países Árabes: Oportunidades, Logística e Financiamento", que começa às 11h15min do dia 9.

