Isaura Daniel
São Paulo – Os três mil empresários que se reúnem a partir de hoje (22) para o 24º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), em São Paulo, terão pela frente a tarefa de apontar formas para manter os atuais níveis das exportações brasileiras em um 2005 de provável desaquecimento do comércio internacional. De acordo com estimativas do Banco Mundial, o comércio global deve crescer entre 7% e 8% em 2005, um pouco abaixo dos 10,5% projetados para este ano.
Os chineses, que são os terceiros maiores importadores e exportadores mundiais, aumentaram a taxa de juros no último mês e os Estados Unidos, maior mercado global, também devem continuar aumentando os seus juros em 2005. "A China está tentando reduzir o seu nível de crescimento", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), organizadora do Enaex, que segue até quarta-feira (14) no Centro de Convenções do Hotel Transamérica.
Além do freio que pode significar a redução de consumo nos Estados Unidos e China, também o preço das commodities pode ficar mais baixo no ano que vem, o que poderá diminuir o faturamento do setor agrícola com exportações. "Os Estados Unidos tiveram uma super safra de soja e o Brasil e a Argentina também devem colher bem", diz Castro.
Em um dos seus relatórios, o Banco Mundial cita o aumento das taxas de juros internacionais e da queda dos preços do petróleo e das commodities como um dos fatores para o desaquecimento do comércio mundial.
A AEB acredita que as exportações brasileiras cheguem ao final deste ano com um faturamento entre US$ 95 bilhões e US$ 96 bilhões, o que significaria um crescimento de 30% sobre o ano passado. As projeções para 2005, porém, ainda não foram fechadas. Já o Banco Central prevê embarques de US$ 94 bilhões até o final de 2004.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, já falou que acredita em exportações de US$ 100 bilhões para o Brasil em 2005, o que significaria um crescimento de 6% sobre o valor estimado pelo Banco Central para este ano. O percentual deve ficar muito próximo do crescimento vislumbrado para o comércio mundial como um todo. "Diante do cenário internacional, se mantivermos no ano que vem o mesmo volume de exportações deste ano não será um negócio ruim", diz Castro.
De acordo com ele, neste ano as exportações brasileiras foram favorecidas por alguns fatores externos, como a perda de mercado de carne dos Estados Unidos em função do mal da vaca louca e de países asiáticos, em função da gripe aviária. Vários países já começaram a liberar as importações de carne norte-americana, o que deve acirrar a concorrência para o Brasil.
O Brasil, porém, acaba de fazer um acordo com a China, pelo qual vai exportar US$ 200 milhões em carne. Segundo Castro, o país também tem chances de aumentar as suas exportações de autopeças em função da construção de fábricas de automóveis na China.
Há ainda a opção de investir em novos mercados, como os países árabes, para manter os volumes de exportações. "O mercado árabe pode ser explorado como alternativa", diz o vice-presidente da AEB. De acordo com Castro, em função da guerra do Iraque, os países árabes estão privilegiando outros fornecedores, em detrimento dos Estados Unidos, o que pode favorecer as vendas brasileiras. "O Brasil fornece os mesmos produtos que os Estados Unidos", diz.
Encontro
Além do cenário internacional, também os entraves internos ao desenvolvimento das exportações serão discutidos no Enaex. A abertura do encontro, que ocorre às 15h, será feita pelo ministro Furlan, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente da AEB, Benedicto Fonseca Moreira.
Durante os três dias, empresários e lideranças ligadas ao setor de comércio internacional vão falar sobre como o país pode superar barreiras internas para exportar mais. Os debates começam amanhã (23) com o tema "Desburocratização e Modernização da Exportação", com os palestrantes Ivan Ramalho, secretário de Comércio Exterior, Armando Mariante Carvalho, presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), e Jorge Ávila, vice-presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) terá um estande institucional no encontro. O secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, fará a palestra "Como Negociar com os Árabes" amanhã, às 14h30min.
Também serão abordados no seminário a importância da política de exportação para diminuição da vulnerabilidade externa, a modernização do sistema aduaneiro, a promoção comercial e a importância da infra-estrutura de transportes para a competitividade. Entre os palestrantes estarão o presidente da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), Juan Quirós, a economista Clarice Messer, e o diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Roberto Gianetti.
Na terça e quarta-feira, os painéis começam às 9h. As inscrições para o encontro já estão fechadas.
Serviço
24º Encontro Nacional de Comércio Exterior
Data: 22 a 24 de novembro
Local: Centro de Convenções Hotel Transamérica (SP)
Endereço: av das Nações Unidas, 18.591
Informações: +55 (21) 2544 0048
E-mail: enaex@aeb.org.br
Site: www.enaex.com.br

