Isaura Daniel
São Paulo – Os empresários brasileiros que viajaram em missão comercial para a Arábia Saudita e o Kuwait na última semana trouxeram na mala novas possibilidades de negócios. O grupo, composto por 15 representantes de companhias, instituições financeiras e associações setoriais, participou de encontros com aproximadamente 100 empresários sauditas e kuwaitianos entre os dias 21 e 24.
A Niju, fabricante catarinense de semi-reboques frigoríficos para transporte de alimentos, é uma das empresas que deve fazer novas vendas a partir da missão. O proprietário da Niju, Sextilio Hans, acredita que serão fechados dois pedidos, de cerca de 50 unidades, no valor de US$ 8 milhões cada um, a partir de contatos feitos na viagem.
A companhia chegou a fazer uma exportação de 50 unidades, em 2003, para a Arábia Saudita, mas em 2004 não exportou. "No ano passado nos concentramos no mercado interno, pois deu uma guinada", disse Hans. A empresa fabrica 50 unidades por mês e pretende aumentar o volume de produção para 70 até outubro. A Niju deve enviar um profissional para prospectar o mercado árabe em 2006 e depois instalar um escritório, ou contratar um representante na região.
Já o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, trouxe 15 nomes de importadores árabes interessados em comprar carnes dos frigoríficos brasileiros. Ele fez uma avaliação positiva da viagem. "O Brasil está abastecendo o mercado árabe até via Grécia e Alemanha", afirmou Camardelli.
O diretor da Abiec conversou com os importadores sobre dificuldades encontradas na compra da carne brasileira, como as exigências na área de rotulagem e documentação, que agora serão repassadas aos associados da entidade para que sejam encontradas soluções. Os contatos trazidos por Camardelli são todos de companhias que ainda não compram o produto brasileiro, ou que compram por meio de outros países.
A Docol Metais Sanitários, por sua vez, espera começar a exportar para o Oriente Médio a partir de contatos feitos durante a missão. A empresa fabrica desde torneiras e duchas até válvulas de descarga. "Estamos satisfeitos com os contatos realizados e com a receptividade dos sauditas e kuwaitianos aos nossos produtos", disse o gerente de Negócios Internacionais da empresa, Christian Berretta. A companhia, que vende para mais de 25 países e destinou 16% da sua produção para o mercado externo em 2004, ainda não exporta para os países árabes.
Na avaliação do presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., a missão comercial superou as expectativas. "Os empresários que não conheciam o mercado árabe ficaram impressionados com o potencial", afirmou Sarkis, que viajou acompanhado do secretário-geral da CCAB, Michel Alaby.
Argélia
A missão ao Kuwait e Arábia Saudita fez parte da programação da viagem do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a dez países árabes. Amorim, que chegou na região no dia 17 de fevereiro, encerrou a jornada no último sábado (26), com encontros com o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, e o chanceler do país, Abdelaziz Belkhaden. O presidente argelino confirmou sua participação na reunião de cúpula dos países árabes e sul-americanos, que ocorrerá em Brasília em maio, e também prometeu realizar uma visita de estado ao Brasil.
Os temas comerciais também fizeram parte da conversa de Amorim com Belkhaden e Bouteflika. O chanceler brasileiro falou a Belkhaden que o Brasil quer exportar aviões e produtos manufaturados à Argélia. Essa seria uma maneira de equilibrar a balança comercial dos dois países, que no ano passado ficou favorável ao país árabe em US$ 1,5 bilhão em função das vendas de petróleo argelino ao Brasil.
Amorim também falou sobre a disposição do país de aumentar o intercâmbio com a Argélia nas áreas de ciência, tecnologia e agricultura familiar, além de petróleo. Eles assinaram um memorando de entendimentos, que formaliza as consultas políticas entre os dois países, conforme a ANBA noticiou ontem (28).
Amorim esteve também no Catar, Líbano, Síria, Tunísia, Omã, Jordânia e Palestina. No Kuwait e Arábia Saudita ele participou de parte da programação da missão comercial, que teve como objetivo, além de gerar novos negócios para companhias brasileiras, despertar o interesse dos empresários árabes pelas atividades paralelas à cúpula de chefes de estado.

