Alexandre Rocha
São Paulo – O Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1 vai render mais de US$ 74 milhões ao país, segundo estudo divulgado pelo Centro de Estudos e Pesquisas do Bahrein, órgão vinculado ao governo local. A corrida, a primeira do Oriente Médio, será realizada no próximo domingo (04) no novíssimo autódromo de Shakir, localizado a 30 quilômetros da capital Manama.
Segundo a pesquisa – feita com 33 representantes dos setores de hotelaria, agências de viagem e turismo, aluguel de carros e comércio em geral – estima-se que os 40 mil torcedores esperados para o evento devem gastar algo em torno de US$ 225 por dia de estadia no país, incluindo os ingressos.
No trabalho realizado pelos pesquisadores Hamida Al Kalai e Suha Al Saad, e reproduzido pelo jornal barenita Bahrain Tribune, os proprietários de hotéis estimam um crescimento de 67% nos negócios nos dias do evento, já as locadoras de veículos acreditam em um aumento de 30% nos aluguéis e as agências de viagem e turismo num crescimento de 26% nas vendas de passagens e pacotes turísticos.
De acordo com o estudo, todos os entrevistados disseram que o GP terá um impacto positivo na economia do pequeno país – um arquipélago de ilhas com apenas 716.150 habitantes localizado no Golfo Arábico – e que ele estará pronto para sediar outros eventos semelhantes no futuro.
A maioria dos visitantes, de acordo com informações dos proprietários de hotéis, será composta por europeus, seguidos de turistas de outros países do Golfo, da Ásia e dos demais países árabes.
Turismo
A quantia de US$ 74 milhões, que deverá ser injetada na economia local, pode parecer pequena diante do investimento de US$ 150 milhões feito para a construção do Autódromo Internacional do Bahrein. No entanto, os barenitas esperam que o GP impulsione o turismo e a realização de outros eventos de grande porte no país.
Segundo a pesquisa, os representantes do setor hoteleiro, por exemplo, informaram que pretendem tirar vantagem da exposição proporcionada pela corrida para promover o país como destino turístico.
Já a administração do autódromo garante que ele vai funcionar durante 365 dias por ano e que vai proporcionar ao Oriente Médio uma estrutura de padrão internacional para qualquer evento ligado aos esportes a motor.
O evento também vai ter reflexos na economia de países próximos. Uma vez que o Bahrein tem apenas 15 mil quartos de hotel, vários visitantes vão se acomodar em instalações nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e na Arábia Saudita.
Previsões
Enquanto os empresários barenitas esperam os lucros, as equipes e pilotos da F1 já começaram a fazer previsões sobre a corrida, embora elas sejam difíceis por se tratar de um circuito totalmente novo.
De acordo com entrevistas reproduzidas pelo site especializado F1 Live.com, a pista alterna trechos de aceleração total com curvas fechadas que requerem freadas fortes, o que deve exigir muito dos motores, freios e pneus. Há preocupação também com o calor e com a presença de areia no asfalto, já que o autódromo foi construído no meio do deserto:
"Será uma corrida quente", disse o alemão Michael Schumacher, da Ferrari, hexacampeão mundial de F1. "Mas a maior preocupação será com a areia", completou.
Na mesma linha, o diretor técnico da equipe Renault, Bob Bell, acrescentou que o GP do Bahrein será um "desafio duro" do ponto de vista da resistência dos equipamentos.
Vários pilotos, no entanto, estão contentes frente à possibilidade de correr em uma pista nova. Na visão deles, como ninguém conhece o traçado, isso pode igualar mais as chances. As duas primeiras etapas da temporada, na Austrália a na Malásia, foram vencidas por Schumacher, confirmando o favoritismo do piloto e de sua equipe.
"Todo mundo vai ter que aprender quando chegarmos por lá, isso vai ser bastante interessante e excitante também", afirmou o colombiano Juan Pablo Montoya, da Williams.
Opinião semelhante à do novato Giorgio Pântano, da Jordan. "Eu acho que essa corrida será bem excitante, uma vez que o circuito é novo para todo mundo, então, sob este ponto de vista, seremos todos iguais", acredita o piloto italiano.
Às vésperas do GP vários pilotos têm manifestado entusiasmo com a possibilidade de viajar pela primeira vez a um país árabe. "Nunca estive na região, vou passar uns dois dias em Dubai (nos Emirados Árabes) antes de ir para o Bahrein e não vejo a hora de conhecer uma nova parte do mundo", disse o brasileiro Rubens Barrichello, da Ferrari.
Ele acrescentou que pretende conhecer a pista "à moda antiga". "Gosto de conhecer um circuito novo à moda antiga, o que consiste em chegar na pista e andar nela a pé ou de bicicleta", afirmou. O piloto disse que, provavelmente, vai dar duas voltas a pé, andando ou correndo, ou de bicicleta, para conhecer melhor o traçado.
Segurança
Uma das preocupações das autoridades locais tem sido com a segurança, principalmente após os atentados de 11 de março em Madri, na Espanha, e após a morte do líder do Hamas, Ahmed Yassin, pelas forças armadas israelenses. O governo local prometeu reforçar a segurança e quadruplicar o policiamento em pontos considerados chaves.
Barrichello disse que os atentados na Espanha demonstraram que em qualquer lugar do mundo é preciso estar preocupado com a segurança.
"Mas eu acho que esse GP será um grande evento para aquela parte do mundo e tenho certeza de que os organizadores fizeram todo o necessário para garantir que será um sucesso", declarou o brasileiro.
Hospitalidade
Quem já esteve por lá garante que a recepção será calorosa por parte dos fãs. "Eu fiquei espantado com a hospitalidade deles", disse Jenson Button da BAR. O piloto inglês esteve em terras barenitas no final do ano passado e se disse impressionado com o grau de conhecimento da população local sobre o esporte.
"É um lugar muito legal e eu acho que vários dos colegas da F1 vão ter uma grata surpresa quando chegarem lá. Eu não vejo a hora de voltar", acrescentou Button.
Mas não será apenas no GP que o Bahrein começará a participar da Fórmula 1, desde o começo da temporada o príncipe herdeiro do país, xeque Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa, patrocina mensagens humanitárias e culturais estampadas na tampa dos motores dos carros da equipe Jordan.
Na Austrália havia uma pomba da paz e na Malásia uma imagem representando a igualdade entre os seres humanos. "Essa campanha serve para chamar a atenção e para fazer com que as pessoas pensem", disse o irlandês, Eddie Jordan, proprietário da equipe.

