Riad – Os chefes de estado, de governo e ministros que estarão na 4ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), nos dias 10 e 11, em Riad, na Arábia Saudita, vão receber uma série de recomendações do setor privado para fomentar os negócios entre as duas regiões. As sugestões constam da declaração final do Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, realizado neste domingo (08) na capital saudita, e foram divulgadas pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Marcelo Sallum, e pelo secretário-geral do Conselho de Câmaras Sauditas, Khaled Alotaibi. As duas entidades foram responsáveis pela organização do encontro.
Uma das principais demandas dos árabes é a criação de linhas de navegação diretas entre as duas regiões, com o objetivo de facilitar o comércio de mercadorias. Nesse sentido, duas das propostas do documento dizem respeito ao tema: a criação de uma companhia conjunta de navegação e a formação de uma empresa de serviços de logística, também conjunta.
Transporte e logística foram os principais assuntos do fórum. Nesse sentido, a Academia Árabe de Ciência, Tecnologia e Transporte Marítimo, um braço da liga árabe, apresentou uma série de estudos sobre rotas marítimas entre as duas regiões, assim como o brasileiro Marcos Valentini, da Ilos, empresa de consultoria em logística.
A declaração sugere também o apoio ao aumento do número de ligações diretas por via aérea. Além disso, os participantes do fórum pedem aos governantes a facilitação da emissão de vistos para viagens de negócios e turismo.
Na seara da promoção comercial, os representantes da iniciativa privada defendem a “elevação do nível da representação comercial” e a criação de conselhos empresariais entre os países.
O documento pede ainda a liberalização do comércio entre as duas regiões e a assinatura de tratados para evitar a bitributação dos lucros de investimentos de um país em outro. Logo no início do fórum, o presidente do Conselho de Câmaras Sauditas, Abdulrahman Al Zamil, defendeu a aceleração do processo de liberalização do comércio e o “estabelecimento de uma zona de livre comércio entre as duas regiões”.
Em sua palestra, o diretor-geral da Câmara Árabe Brasileira, Michel Alaby, destacou a necessidade de se avançar nas negociações de acordos comerciais entre o Mercosul e países árabes. O bloco sul-americano deu início a tratativas com várias nações do Oriente Médio e Norte da África nos últimos anos, mas por enquanto só assinou acordo com o Egito. O Tratado, porém, ainda não entrou em vigor, pois ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos da Argentina, Uruguai e Paraguai.
Marcelo Sallum, por sua vez, traduziu em números o potencial econômico das duas regiões: 800 milhões de pessoas, Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 7,3 trilhões, 9,5% das riquezas mundiais, detentoras das maiores reservas globais de hidrocarbonetos e de minérios, além de grande potencial agrícola.
Casos
As oportunidades de investimentos recíprocos também foram destaque por meio da apresentação de casos de sucesso, como o da BRF, empresa brasileira dona das marcas Sadia e Perdigão, que construiu uma fábrica de alimentos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com investimentos de US$ 160 milhões. De acordo com o diretor comercial regional, Fadi Felfeli, as operações no Oriente Médio são modelo para a estratégia de expansão global da companhia.
O CEO do grupo egípcio Pharco, do ramo farmacêutico, Sherine Helmy, falou também de aumento dos negócios internacionais e que sua empresa pretende não só começar a exportar para dois países da América do Sul, mas também ter fábricas na região.
O secretário-geral adjunto da Liga Árabe, Ahmed Bem Heli, observou que há grande necessidade de criação de emprego para os jovens no mundo árabe “para que eles não imigrem, não deixem seus países, e para que não caiam na mão do terrorismo”, referindo-se a dois problemas que atingem o Oriente Médio e Norte da África: as migrações em massa de pessoas que fogem de conflitos e o recrutamento de jovens por grupos armados.
O fórum teve também a participação dos ministros sauditas das Finanças, Ibrahim Al-Assaf, e da Indústria e Comércio, Tawfig Alrabiah.
Na plateia estavam empresários, representantes de entidades setoriais e de governos do Brasil, Venezuela, Peru, Equador, Paraguai, Arábia Saudita, Argélia, Egito, Sudão, Mauritânia, entre outros.


