Marina Sarruf
São Paulo – Após a palestra do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, sobre "Como Negociar com os Países Árabes", apresentada ontem (29) na Universidade do Vale do Rio Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (RS), empresários gaúchos demonstraram interesse em saber mais sobre o mercado árabe. "O evento foi muito positivo. Tudo isso é valido para promover o Brasil no mercado árabe", afirmou Alaby.
A palestra fez parte da 4ª edição do Encontro Regional de Comércio Exterior, promovido pela Unisinos e pelo Banco do Brasil. De acordo com Alaby, os empresários gaúchos que demonstraram mais interesse em exportar para o mercado árabe foram os dos setores de calçados e alimentos, principalmente do segmento de doces. O evento contou com cerca de 400 pessoas, entre empresários e estudantes de comércio exterior, relações internacionais e administração.
No encontro foram apresentadas iniciativas de apoio à exportação, experiências concretas em processos de internacionalização de empresas brasileiras e as perspectivas e cenários de importantes mercados no exterior.
Na palestra de Alaby, ele falou do potencial do mercado árabe, dos costumes, da balança comercial e dos principais produtos exportados e importados. De janeiro a outubro deste ano as vendas externas brasileiras para os países árabes somaram US$ 5,25 bilhões, o que representou um aumento de 22,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações foram de US$ 4,65 bilhões nos dez primeiros meses do ano, contra US$ 4,28 bilhões no mesmo período de 2005.
Os principais produtos brasileiros embarcados para os árabes são açúcar, carne bovina e de frango, minério de ferro, aviões e alumínio. Por outro lado, importamos petróleo, nafta para petroquímica e óleo diesel. No entanto, Alaby também falou que o Brasil vem diversificando sua pauta de exportações para o mercado árabe. Um dos exemplos apresentados durante o seminário foi o da Naturovos, empresa de Salvador do Sul (RS) que exporta ovos para a região.
O gerente de exportação da empresa, Anderson Muller Herbert, falou da dificuldade da logística para a região, da exigência do mercado árabe e das adaptações de embalagens que a Naturovos precisou fazer para embarcar seus produtos. "Foi uma palestra muito interessante. Ele exemplificou bem o mercado árabe", disse Alaby.
Outra palestrante que também citou o mercado árabe foi Angela Hirata, consultora executiva da Alpargatas, empresa que fabrica as famosas sandálias de borracha Havaianas. Angela falou sobre o trabalho que teve para internacionalizar a marca brasileira e da importância da qualidade, controle e entrega do produto. Atualmente, as Havaianas estão presentes em mais de 80 países, inclusive nos Emirados Árabes – Angela mostrou fotos do produto no país.
Além desses palestrantes, também participaram do evento o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini, que falou sobre as "Ações Governamentais para a Competitividade Internacional"; o diretor de comércio exterior do Banco do Brasil, Nilo José Panazzolo; o presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Antonio Carlos Fraquelli, que falou sobre "O câmbio no Brasil: mudanças, cenários e tendências"; e ainda o gerente de relações internacionais da Federação das Indústrias do Estados do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto de Carvalho, e o vice-reitor da Unisinos, Aloysio Bohnen.

