Doha – Os empresários e representantes de entidades setoriais que participaram do Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes divulgaram nesta segunda-feira (30) um comunicado com sugestões do setor privado para os líderes das duas regiões que estarão na 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes, que vai ocorrer terça-feira em Doha, no Catar.
Segundo o documento, os empresários afirmam que “a mitigação” da crise financeira internacional e dos efeitos negativos dela demanda a coordenação de esforços nas duas regiões.
Nesse sentido, eles propõem que as nações dos blocos evitem medidas protecionistas e ampliem o acesso aos seus mercados “no contexto das políticas para minimizar os efeitos da crise”; e o estímulo aos bancos privados e públicos na ampliação das linhas de crédito para promoção do comércio e dos investimentos entre as regiões.
Para facilitar o trânsito de pessoas e bens, o setor privado sugere a facilitação da emissão de vistos e a realização de acordos na área de transportes “para estabelecer rotas aéreas e marítimas sólidas, o que também deverá favorecer o turismo.
Os empresários defendem também a divulgação cotidiana do calendário de feiras e missões comerciais nos países envolvidos; a realização de convênios para padronizar as questões de metrologia e sanidade animal e vegetal; e a criação de mecanismos de cooperação técnica e científica.
O texto sugere a criação de uma Federação de Câmaras de Comércio Árabes-Sul Americanas que, por sua vez, terá a tarefa de promover a instalação de câmaras do gênero em todos os países da América do Sul.
A declaração propõe ainda a criação de ferramentas, como websites, para a divulgação de acordos, oportunidades de comércio e investimentos e questões legais que afetem a atividade empresarial.
Para os participantes do fórum, os governos devem tomar todas as medidas para facilitar o papel do setor privado, removendo barreiras ao trânsito de bens e pessoas e desenvolvendo um ambiente “saudável” para os negócios.
A carta diz que, para tanto, é necessária uma melhora no quadro legal no que diz respeito às atividades econômicas, aos investimentos, à formação de joint-ventures transnacionais e para evitar a bitributação dos negócios birregionais.
Rodadas
O fórum durou dois dias e foi encerrado nesta segunda-feira com rodadas de negócios com um balanço positivo dos participantes. O representante da empresa brasileira de transportes Figwal, Deonísio Petry, disse que teve contatos com empresários do Catar e de países vizinhos, tanto que antes e voltar ao Brasil vai passar por Dubai para visitar um agente local. “O movimento ainda é tímido, mas a expectativa no curto prazo é movimentar mais cargas de produtos industrializados”, declarou.
Já a diretora-executiva da Câmara de Comércio Colômbia-Emirados Árabes Unidos e GCC, Cecilia Eraso, disse que houve bastante interesse por investimentos e importação de produtos do seu país por parte dos empresários árabes. Segundo ela, o interesse maior foi por investimentos no ramo de turismo e na importação de café e alimentos.
Outra que disse ter feito bons contatos foi a brasileira radicada na Arábia Saudita, Iara Silva, dona da Halal Business Development (BHBD). Ela busca exportadores brasileiros de alimentos que querem entrar no mercado saudita, indica empresas de certificação halal e procura por importadores interessados nos produtos.
O representante da Waters of Patagonia, Ian Szydlowski, disse também ter feito bons contatos para um projeto de exploração de reservas de água no Chile. A empresa, segundo ele, tem concessão de exploração de águas que derretem de geleiras no sul do país.
O vice-presidente da Sound Investment Partners, do Bahrein, Behzad Mohsen, por sua vez, estava a procura de interessados em abrir escritórios e showrooms permanentes em seu país.
Estava presente no encontro também a consultoria PricewatherhouseCoopers oferecendo serviços como estudos de viabilidade, análises de mercado, planos de negócios, desenvolvimento de recursos humanos, planejamento tributário, entre outros. “Os países da região passaram por muitas reformas nos últimos cinco anos e podemos oferecer consultoria a empresas que precisam estar de acordo com a nova regulação”, disse o sócio local da companhia em Riad, na Arábia Saudita, Walid Shukri.
A Petrobras também participou do fórum. A companhia recentemente recebeu um convite do governo do Catar para analisar dados geológicos de três blocos de exploração no país. Ela comprou esses dados para realizar maiores estudos.

