São Paulo – O lucro global das empresas aéreas deverá chegar a US$ 11,7 bilhões neste ano, com uma receita total de US$ 708 bilhões. De acordo com as previsões para 2013 e 2014 divulgadas na noite de segunda-feira (23) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o setor continuou a crescer no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2012, no entanto, a uma velocidade menor do que a prevista em junho, quando a estimativa era de lucro de US$ 12,7 bilhões neste ano.
Segundo a IATA, que reúne 240 das empresas aéreas mundiais, os motivos que levaram a instituição a prever um ganho menor para as companhias neste ano foram a instabilidade na Síria, o aumento do preço do petróleo e um crescimento menor do que o previsto em mercados emergentes, como o Brasil.
“No geral, os fatos são positivos. A rentabilidade continua em uma trajetória de ganhos, mas temos reduzido a velocidade (do crescimento e dos lucros) e o crescimento do setor de cargas não se concretizou. A expansão dos mercados emergentes perdeu ritmo e o aumento nos preços do petróleo teve um efeito de redução do crescimento. Vemos um fim de ano mais otimista e 2014 prepara-se para apresentar mais do que o dobro de lucro comparado com 2012”, afirmou o diretor-geral e CEO da IATA, Tony Tyler.
Se, por um lado, o preço do petróleo afetou o crescimento dos lucros, por outro a IATA afirmou que as empresas aéreas conseguiram absorver os aumentos de custos ao mudar sua estrutura, ampliar parcerias com outras companhias e reduzir a abertura de voos.
Mesmo com a previsão de crescimento menor neste ano, as empresas de algumas regiões deverão crescer mais do que o previsto em junho. Entre as regiões que apresentaram resultados melhores estão o Oriente Médio e a América do Norte.
A expectativa é que os lucros das empresas do Oriente Médio cheguem a US$ 1,6 bilhão em 2013. A previsão anterior era de ganhos de US$ 1,5 bilhão. Entre os motivos que a IATA indica para o aumento dos ganhos estão os eficientes hubs (aeroportos que são polo de distribuição de voos), que têm obtido bons resultados em rotas de longa distância.
Já as companhias aéreas da América do Norte deverão registrar um lucro de US$ 4,9 bilhões em 2013. A estimativa divulgada em junho previa ganhos de US$ 4,4 bilhões. O principal motivo para o aumento da rentabilidade, segundo a IATA, foi o aperfeiçoamento da estrutura das empresas aéreas, consolidação de parcerias internacionais e mais eficiência.
Os países da América Latina deverão registrar ganhos de US$ 600 milhões, assim como previsto há três meses. A IATA destaca que a “fraqueza” da economia brasileira será recompensada por desempenhos melhores das empresas, novos voos para África e Ásia e pelo crescimento das rotas com a América do Norte. As previsões da IATA ainda indicam ganhos de US$ 1,7 bilhão entre as empresas europeias (antes se estimava crescimento de US$ 1,6 bilhão), US$ 3,1 bilhões entre as da região Ásia-Pacífico (o lucro esperado era de US$ 4,6 bilhões) e prejuízo de US$ 100 milhões para as companhias aéreas africanas, ante uma estimativa de lucros de US$ 100 milhões.
Para 2014, a IATA prevê lucro global de US$ 16,4 bilhões entre as empresas aéreas. A instituição acredita em preços do petróleo mais baixos e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global. As empresas aéreas Oriente Médio devem alcançar o maior lucro da sua história: US$ 2,1 bilhões; as companhias da América Latina devem ganhar US$ 1,1 bilhões; as africanas, US$ 100 milhões; as da América do Norte, US$ 6,3 bilhões; as europeias, US$ 3,1 bilhões; e as asiáticas, US$ 3,6 bilhões.


