São Paulo – Empresas que participam da Feira Internacional de Revestimentos, que começou ontem (24) em São Paulo, acreditam na possibilidade de negócios com importadores do mercado árabe até sexta-feira (27), último dia do evento. “Os árabes ficaram muito interessados em nossas porcelanas revestidas em ouro e platina e nas cerâmicas rústicas”, afirmou o presidente da companhia Mazza, Francisco Mazza.
A empresa, com sede em Tambaú, interior de São Paulo, está há mais de 100 anos no mercado, mas foi no ano passado que ela, com 40 funcionários, desenvolveu um departamento internacional. Segundo Mazza, no primeiro dia da feira o estande recebeu visitantes dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. “O comprador da Arábia Saudita ficou de voltar (hoje) para fechar negócio”, disse o empresário. Caso o pedido se concretize, essa será a primeira venda da companhia para o mercado árabe.
Outra empresa que recebeu importadores árabes foi o Grupo Incefra, um dos maiores do Brasil em produção de pisos e revestimentos cerâmicos, com uma produção mensal de 1,7 milhão de metros quadrados. De acordo com Fabio Castropil, do departamento de exportação do grupo, a empresa ainda não vende para o mercado árabe, mas está em negociação com uma empresa da Jordânia. “Começamos um relacionamento com o mercado árabe no mês passado numa feira em Valência (Espanha), onde recebemos a visita de muitos árabes”, afirmou Castropil.
Segundo ele, compradores dos Emirados e Arábia Saudita passaram pelo estande da empresa, pediram catálogos dos produtos e disseram que voltariam num outro dia. “O primeiro dia é sempre assim. É mais especulação”, disse Castropil, que acredita que a empresa tem grandes chances de entrar no mercado árabe. “É um mercado que aparentemente não foi muito afetado pela crise”, disse.
Guilherme Vivona, do departamento de exportação da empresa Gail, tem a mesma opinião. “É um mercado muito promissor que está mais longe da crise do que outros mercados”, afirmou. A Gail, fabricante de revestimentos cerâmicos, começou a exportar com maior freqüência para os países árabes em 2007, depois de participação na Big 5 Show, feira do setor de construção em Dubai. “Hoje um dos nossos maiores clientes é da Arábia Saudita, que inclusive já passou aqui no estande”, acrescentou.
A companhia, que tem sede em Guarulhos, exporta para mais de 30 países, entre eles Emirados, Catar, Kuwait, Jordânia, Egito, Líbano e Síria. Segundo Vivona, o cliente da Arábia Saudita deve fechar um pedido até o final da feira. “Atendemos todas as exigências desse mercado”, disse o representante do departamento de exportação.
Os produtos mais embarcados para o Oriente Médio, segundo Vivona, são os revestimentos cerâmicos para decoração, que imitam pedras e têm um aspecto natural. “Isso agrada muito o mercado árabe e outros mercados”, acrescentou. Atualmente a Gail exporta 15% de sua produção e tem como meta chegar nos 40% nos próximos três ou quatro anos. “De 2005 para cá é que começamos a trabalhar com o mercado externo”, disse.
Líbia
Entre os importadores árabes que estão participando da Revestir está o líbio Salem Youns, gerente-geral do Grupo Bem Younes, que atua nos setores de construção e alimentos. “Essa é a primeira vez no Brasil. Tenho uma grande loja de construção na Líbia e procuro cerâmica brasileira”, afirmou o empresário, que ainda não importa do Brasil. Segundo ele, o produto brasileiro é bom e há interesse em começar a importar. “Quando voltar para Líbia vou analisar os preços e ver se fechamos negócios”, acrescentou.
Atualmente, o grupo, que emprega 190 funcionários, importa cerâmica, mármore, granito, cimento e acessórios para banheiros da Espanha, Itália e Turquia. Além desse setor, o grupo também tem interesse de importar do Brasil diversos produtos alimentícios, como leite, biscoitos, chocolates, café, molho de tomate e açúcar, principalmente.

