Alexandre Rocha
e Marina Sarruf
São Paulo – Várias empresas brasileiras do ramo têxtil querem começar a trabalhar com algodão egípcio pois acreditam que há no Brasil uma demanda crescente por produtos de alta qualidade fabricados com este tipo de matéria-prima. Saber mais sobre as mercadorias produzidas no país árabe e, eventualmente, fechar um pedido para teste foram os principais objetivos das companhias que mandaram representantes ontem (28) para o primeiro dia da Exposição do Algodão Egípcio, realizada no Espaço Câmara Árabe em São Paulo.
A Fábrica da Pedra, por exemplo, começou a importar em março tecidos da El Mehalla, uma das companhias que tem produtos expostos na mostra. "Há um aumento na demanda por produtos de maior qualidade e o tecido feito com algodão egípcio é considerado o mais nobre", disse Álvaro Lullis, gerente comercial da empresa. A Fábrica da Pedra fica em Alagoas e pertence ao grupo Carlos Lyra, que atua em diversos setores.
Se houver aceitação do mercado, o plano da companhia é importar 50 mil metros quadrados por mês a partir do início de 2006. No médio prazo, assim que receber novos teares recentemente adquiridos, a empresa poderá começar a comprar fios de algodão egípcio para fabricar ela mesma os tecidos. "E, dependendo da demanda, podemos começar a importar os fios e continuar a comprar tecidos", acrescentou Lullis. A tecelagem fornece principalmente para fábricas de roupa de cama.
Outra que está experimentando o algodão egípcio é a Linhas Nice, que fez recentemente um pedido de 500 quilos de matéria-prima para teste. "Há uma carência no mercado nacional de fornecedores de produtos com essa qualidade", disse o diretor comercial da empresa, Luís Eduardo Almeida. Se verificar que a nova linha tem boa aceitação, a companhia de Nova Odessa, no interior de São Paulo, poderá importar até 13 mil quilos por mês, segundo estimativa de seu diretor presidente, Márcio Cia.
A exposição chamou a atenção também de quem ensina o ofício do ramo têxtil. O diretor da Escola Têxtil do Serviço Nacional da Indústria (Senai), Fernando da Silva Afonso, e o instrutor da instituição, Carlos Pires, queriam saber mais sobre o algodão egípcio e seus produtos para utilizar as informações nos cursos profissionalizantes e na consultoria às indústrias. "O algodão é a porta de entrada da indústria têxtil", disse Afonso. A escola do Senai em São Paulo conta com 350 alunos em cursos técnicos, mais 800 em programas de educação continuada, 40 oficinas que simulam toda a cadeia industrial, além de laboratórios.
A Tecelagem Cinerama também mandou uma representante ao evento. A empresa pretende começar a vender lençóis e toalhas fabricadas com matéria-prima egípcia. Com cinco lojas na capital paulista, a Cinerama já trabalha com outros produtos importados, como cortinas e almofadas da Índia e da China.
Já tecelagem Panamericana quer importar fio cru de algodão egípcio para fabricar tecidos. De acordo com o diretor da empresa, Carlos Jorge Leitão, a idéia surgiu no começo deste ano. "Achamos que é uma maneira de agregar valor ao produto", afirmou. A Panamericana importa 50% dos fios que utiliza da Europa e China. A companhia tem capacidade para produzir 350 mil metros por mês, que são vendidos para empresas de confecção e decoração.
Representantes da rede de lojas Zêlo, que vende artigos de cama, mesa e banho, também estiveram na mostra interessados nos tecidos e jogos de cama do Egito. Eles acreditam que a valorização do real frente ao dólar favorece a importação de novos tecidos e produtos.
Outro exemplo é o da Tecelagem Nossa Senhora da Penha, localizada no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. "Já trabalhamos com algodão egípcio há alguns anos. Importamos da Itália e do Peru. Esse algodão de fibra longa é o melhor para fazer camisas, não existe igual no mundo", disse José Cássio. "No futuro, pretendemos exportar os nossos tecidos e para isso é preciso ser de boa qualidade", acrescentou Cássio.
Contato direto
Promover os negócios diretos entre brasileiro e egípcios, sem intermediários, é um dos objetivos do evento. De acordo com Abdel Wahab Mansur, diretor da Lotas Comércio Exterior, empresa que representa diversos fornecedores egípcios, o evento marca uma nova etapa para este contato direto. "Acredito que vão surgir grandes negócios", afirmou. "Estes novos contatos servem para impulsionar os negócios", acrescentou.
A mostra, que vai até sexta-feira, é promovida pelo escritório comercial do Egito em São Paulo. Ela foi aberta pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., pelo cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakri Agami, por Mansur, da Lotas, e pelo secretário-geral da Câmara Árabe. No evento, Sarkis destacou as qualidades do algodão egípcio, colocou à disposição dos empresários os serviços da Câmara e recomendou a leitura diária da ANBA.
Serviço
Exposição do Algodão Egípcio
Programação
Hoje das 10 às 18 horas – exposição
Amanhã das 10 às 16 horas – exposição
Amanhã das 16 às 17 horas – encerramento
Local
Espaço Câmara Árabe
Avenida Paulista, 326, 11° andar
Informações
Câmara de Comércio Árabe Brasileira
Departamento de Marketing
Tel: +55 (11) 3283-4066
E-mail: marketing@ccab.org.br
Site: www.ccab.org.br

