Marina Sarruf
São Paulo – Empresas brasileiras começaram a fazer contatos na maior feira de material de construção do Oriente Médio, a Big 5 Show, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que começou ontem (16). A companhia Antigua, por exemplo, que fabrica azulejos cerâmicos pintados à mão, já está perto de fechar o seu primeiro negócio com um distribuidor da região.
"Talvez feche um pedido nesta quinta-feira. Vamos acertar o volume ainda", afirmou o diretor da Antigua, Frederico Luis Chrestesen. A empresa ainda não exporta para países árabes e é a primeira vez que participa de uma feira no Oriente Médio. "Eu já estive em diversas feiras e normalmente os negócios são fechados depois, mas aqui parece que vai ser diferente. Nunca aconteceu isso comigo", disse ele.
De acordo com Chrestesen, um distribuidor de Dubai se interessou pelos azulejos lisos e decorativos da Antigua, que são feitos artesanalmente, em Araras, interior de São Paulo. Segundo ele, o preço do produto agradou o distribuidor. "Os lisos têm os mesmos preços de azulejos de outros países, como Espanha, já os decorativos são mais baratos em comparação com os de outros países, devido ao custo menor da mão-de-obra brasileira", afirmou.
No geral, o primeiro dia da feira foi considerado positivo pelos os expositores brasileiros. "Para mim, que nunca tinha participado, foi muito bom. Eu gostei, porque os visitantes souberam dar valor ao nosso produto, que é pintado à mão", acrescentou Chrestesen.
Além da Antigua, o estande brasileiro, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, conta com a presença das empresas Soprano, fabricante de ferragens e equipamentos hidráulicos; a Braminas, de chapas e blocos de granito; a GA Pedras, de quartzito e ardósia; a Esul, de portas e janelas; e a Docol, de metais sanitários. Também a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas) está representada na feira.
Para o empresário Mauro Cláudio, sócio da Esul, fabricante de portas e janelas de madeira, o primeiro dia rendeu bons contatos. Ele recebeu visitas de empresários de Dubai, Arábia Saudita, Egito e Grécia. "As perspectivas são muito boas", afirmou. Segundo ele, os árabes se interessaram, principalmente, pelas portas de madeira maciça da empresa. "A madeira maciça é o nosso diferencial", acrescentou Cláudio, que já exporta para Itália, Estados Unidos, Argentina, entre outros destinos.
De acordo com o coordenador de operações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rodrigo Solano, que está acompanhando os empresários em Dubai, a feira conta com 2 mil expositores de 55 países. "A grande presença de estrangeiros na feira mostra a importância da região para o comércio internacional no setor de construção", afirmou. Ele acrescentou que a concorrência é acirrada, pois outros países em desenvolvimento, como China, Taiwan, Tailândia, entre outros, estão com uma grande presença na feira.
Visitas
A maior distribuidora de material de construção dos Emirados Árabes Unidos, a Ace Hardware, vai abrir mais uma unidade no país árabe e demonstrou interesse em incluir na lista de produtos as portas, pisos e cerâmicas importadas do Brasil. O interesse foi demonstrado pelo gerente de vendas da Ace Hardware, Ajit Arora, durante a visita de alguns integrantes da delegação brasileira à empresa na segunda-feira (14).
A Ace Hardware é uma empresa de origem norte-americana, fundada em Chicago há mais de 75 anos, e está presente em 68 países. No total, são mais de 24 mil produtos, como tintas, ferramentas, móveis para jardim, equipamentos e acessórios automotivos, entre outros. Além de Dubai, a empresa tem lojas em Sharjah e Ajmam, nos Emirados, e Doha, no Catar.
De acordo com Solano, os empresários brasileiros ficaram de mandar catálogos e informações sobre seus produtos para a companhia. Os brasileiros visitaram também a rua Salahudin, principal centro de lojas de materiais de construção de Dubai; o hotel Burj Al Arab, o mais famoso de Dubai; e os projetos de construção da região de Jumeirah. Segundo Solano, as visitas tiveram como objetivo mostra os canais de distribuição locais, verificar os preços e a qualidade dos produtos vendidos e a concorrência.

