Alexandre Rocha
São Paulo – Logo no primeiro dia da Feira Internacional de Argel, nesta quarta-feira (02), algumas das empresas brasileiras, presentes no estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) e pelo Itamaraty, já fecharam negócios, segundo informou o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, que está na capital argelina.
O Frigorífico Minerva, por exemplo, recebeu dois pedidos para exportar 20 contêineres de carne bovina cada, negócios de cerca de US$ 1,4 milhão. Já a Sermáquinas Industriais, que produz equipamentos para confeitaria, fechou contratos para a venda de dois conjuntos de máquinas para fabricar salgadinhos tipo "chips" no valor de US$ 200 mil.
No primeiro dia do evento, as companhias brasileiras realizaram cerca de 70 contatos comerciais. Além das 10 empresas que enviaram representantes do Brasil para o evento, outras empresas se juntaram ao grupo em Argel, levadas pela embaixada brasileira na capital do país árabe. Entre elas está a Randon, fábrica de carretas, a Massey Ferguson, que produz máquinas agrícolas, e a Tigre, que fabrica tubos e conexões.
Presidente
A cerimônia de abertura da feira contou com a presença do presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, que visitou o estande do Brasil junto com o ministro do Comércio local, Noureddine Bokhrou. Em nome da CCAB, Alaby entregou a ele uma placa comemorativa.
"O presidente visitou o estande demoradamente, durante cerca de 15 minutos, e disse que era um prazer ter o Brasil novamente na feira, com um número maior de empresas do que no ano passado", afirmou Alaby, por telefone, à ANBA.
Somando as 10 empresas que enviaram representantes do Brasil, mais outras que enviaram catálogos e as levadas pela embaixada, ao todo 18 companhias brasileiras estão expondo no estande, contra 13 em 2003.
Missão comercial
Antes da abertura do evento, os representantes da CCAB e os empresários tiveram um encontro com o diretor-geral da Câmara Argelina de Comércio e Indústria (Caci), Mohamed Chami, para assinar o convênio de criação do Conselho Empresarial Brasil-Argélia.
De acordo com Alaby, a Caci pretende promover uma missão comercial ao Brasil no final de julho, ou início de agosto, que, provavelmente, será chefiada por um ministro de estado (das Relações Exteriores ou do Comércio). A idéia é passar por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e depois seguir para a Argentina e Chile.
"Segundo o senhor Chami existe um grande potencial para o Brasil exportar máquinas agrícolas, máquinas ferramentas, máquinas para embalagens e máquinas diversas, tratores, implementos agrícolas, equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos, material cirúrgico, autopeças e veículos populares", disse Alaby.
De acordo com o diretor da CCAB, a Volkswagen do Brasil acabou de entregar 250 unidades do Gol na Argélia. "A frota circulante de veículos de diferentes marcas (franceses, alemães, coreanos e japoneses) gira em torno de 3 milhões a 4 milhões, com vida útil de seis anos. Há um grande mercado para carros populares", acrescentou.
De acordo com informações da agência de notícias Algérie Presse Service, ao todo 1,1 mil empresas de 32 países estão presentes na feira, que vai até o dia 10. Além disso, 453 companhias argelinas, sendo 339 privadas, também participam do evento.

