Isaura Daniel
São Paulo – As empresas brasileiras participantes da 51ª Feira Internacional de Damasco, que começou na sexta-feira (03) na Síria, já realizaram cerca de 40 contatos comerciais. Elas estão expondo seus produtos em um estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
No total, 15 indústrias nacionais de áreas como componentes para calçados, café, produtos químicos, máquinas, eletrodomésticos, autopeças, tecnologia e metalúrgica participam da mostra. Parte delas integra o espaço chamado City Hall, montado pela Prefeitura de Santo André. O Sindicato de Metal-Mecânica do Paraná (Sindimetal) também está presente no estande representando suas associadas.
"O estande brasileiro está tendo uma procura muito boa. Há pessoas perguntando, inclusive, por produtos que não estão expostos, como das áreas de petroquímica e projetos de ferrovias", disse o gerente de planejamento estratégico da CCAB, Luís Waki, que acompanha os expositores brasileiros na Síria ao lado do diretor da Câmara, Sami Roumieh, e da assessora Carla Nabhan. Waki afirmou que há visitantes querendo, inclusive, comprar amostras que estão expostas no estande.
Entre as empresas brasileiras que participam da mostra estão a Amazonas, fabricante de componentes para calçados, a Beraca Sabará, de ingredientes para cosméticos, a Cacique, que produz o Café Pelé, e a trading Global Guiders.
A Corgett, do setor de jóias e semijóias, é uma das expositoras do City Hall, da Prefeitura de Santo André. O município resolveu participar da feira para aproveitar o caminho comercial aberto, no ano passado, pela visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez aos países árabes.
"A Corgett já fez dois bons contatos e vai deixar amostras dos seus produtos para depois seguir negociando", contou Waki. De acordo com ele, as jóias e os produtos para calçados estão fazendo bastante sucesso na feira. A Beraca Sabará, que fabrica componentes de cosméticos, entre outros produtos químicos, também está aproveitando a feira para estreitar laços com os clientes que já possui na região.
Oportunidades
A mostra é multissetorial e deve gerar um total de US$ 100 milhões em negócios para todos os expositores até o dia 12 de setembro. Por fazer fronteira com Líbano, Iraque, Jordânia, Turquia e ter saída para o Mar Mediterrâneo, a Síria acaba sendo um importante centro de negócios na região. Muitos produtos chegam ao Iraque por território sírio. Neste ano, o mercado iraquiano deve comprar US$ 1 bilhão em produtos por meio da Síria.
"A Síria é um país com surpreendente crescimento industrial e um mercado novo. Os produtos brasileiros têm grandes chances de vendas na região", disse o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby.
O comércio brasileiro com a Síria vem crescendo nos últimos anos. Entre janeiro e agosto deste ano as vendas para o país árabe tiveram aumento surpreendente. Passaram de US$ 19 milhões nos oito primeiros meses de 2003 para US$ 118 milhões.
Os setores que costumam estar no centro da Feira Internacional de Damasco são os de alimentos, autopeças e veículos de transporte, matérias-primas para fabricação de cosméticos e produtos de higiene pessoal, equipamentos e materiais de construção, equipamentos médico-hospitalares, máquinas e equipamentos agrícolas, produtos acabados para a indústria hoteleira e de turismo e software.
A CCAB participa da feira desde 1996. No ano passado, a mostra contou com 4.514 expositores, entre os quais quase 2,5 mil eram estrangeiros.

