Da Agência Brasil e da redação da ANBA
Dubai (Emirados Árabes) e São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu ontem em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o principal evento de negócios que acontece durante a visita oficial do governo brasileiro aos países árabes: a Semana do Brasil em Dubai (Brazilian Week & Trade Exhibition).
Os resultados começaram a aparecer ainda neste domingo, que é dia útil nos países árabes – lá, a semana começa no sábado e termina na quarta-feira. A companhia Image, por exemplo, que administra satélites brasileiros, venderá imagens para empresa dos Emirados Árabes. Esses serviços servem, entre outras coisas, para subsidiar estudos ambientais e de segurança.
Outra companhia que deve fechar negócios em breve é a Avibrás, fabricante de equipamentos militares. Existe a possibilidade de venda de um conjunto formado por caminhão, lançador de mísseis e os próprios foguetes. Estima-se que o valor da transação chegue a US$ 400 milhões.
Com o “boom” imobiliário que se verifica em Dubai e região, as empresas moveleiras nacionais têm o objetivo de vender peças para hotéis. De acordo com o diretor do departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Mário Vilalva, o estágio de desenvolvimento do setor financeiro e a quantidade de operadoras de comércio colaboram para o sucesso dos negócios.
A Embraer, sediada em São José dos Campos (SP), começa a negociar um contrato para fornecimento de aviões civis e militares que pode chegar a US$ 200 milhões. Entre as aeronaves civis estão o Super Tucano, o Embraer 145 – com capacidade para até 50 pessoas – e o Embraer 170.
Pouco antes da abertura da feira, numa coletiva de imprensa em Abu Dhabi, capital dos Emirados, Lula havia dito que esperava resultados de curto prazo da viagem de uma semana pelos países árabes, que começou na última quarta-feira (3). E voltou a afirmar que o Brasil não pode ficar esperando que as oportunidades apareçam. “Precisamos mostrar ao mundo as coisas boas que temos, e temos muitas coisas boas para mostrar, como a competência produtiva, no agronegócio, científica e tecnológica”.
Esse é o objetivo da feira, que reúne 88 empresários brasileiros dos mais diversos setores – de veículos e aviões a materiais de construção e equipamentos hospitalares – até dia 9 de dezembro.
Gaviões da Fiel
A abertura da feira, organizada pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), contou com a apresentação de 20 minutos de integrantes da escola de samba paulistana Gaviões da Fiel. O hino nacional brasileiro foi cantado em ritmo de samba a xeques, árabes e indianos.
Também houve um show de fogos de artifício da cidade mineira de Santo Antônio do Monte no suntuoso hotel Jumeirah, onde aconteceu a Semana do Brasil. O hotel fica em frente ao Barj Al Arab, considerada o hotel mais luxuoso do mundo.
Antes da abertura da do evento, Lula repetiu o discurso que tem feito nos outros países árabes que visitou e estimulou empresários brasileiros e locais a fortalecer o relacionamento comercial e a investir. O presidente disse que o Brasil é cosmopolita, preserva e valoriza as raízes culturais herdadas dos árabes.
Afirmou que uma prova da atração que o Brasil tem pelo país do Oriente Médio é a quantidade de empresários que acompanharam a comitiva presidencial. Lembrou que o país já é o maior parceiro comercial brasileiro na região, mas que é possível crescer ainda muito mais. “As melhores perspectivas estão no setor de petróleo, açúcar, imobiliários e pedras e, até mesmo, sistema de defesas”, declarou.
Parceria Público-Privada
Lula destacou ainda que também há interesse árabe na tecnologia brasileira da agricultura, principalmente para maximar as possibilidades de expandir o agronegócio nos desertos. Aliás, já é possível ver cinturão verde irrigado ao longo da rodovia que liga Abu Dhabi a Dubai.
O presidente apostou que a Parceria Público-Privada (PPP) e a criação de marcos regulatórios para investimentos na área de infra-estrutura também ajudarão a atrair capital dos Emirados. Alertou ainda os empresários locais de que o Brasil e o Mercosul são excelentes oportunidades de negócios.
Algumas iniciativas para essa aproximação, segundo ele, já são tomadas. O estudo para evitar a bi-tributação entre os dois países para exportações e investimentos está adiantado. Na verdade, o presidente solicitou apoio dos empresários árabes para investir em projetos de infra-estrutura para a integração do continente sul-americano. Na opinião de Lula, o encontro em 2004 no Brasil entre chefes de Estado dos países árabes e da América do Sul ajudará a reforçar tal empreitada.
Liga Árabe
Hoje de manhã, Lula parte para o Egito, quarto país árabe a ser visitado pelo presidente. No Cairo, ele terá encontros com o presidente Hosny Mubarak e com o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Amr Mussa, que representa os 22 governos da região.
Lula fica no Egito até o dia 9, quando embarca para a Líbia, última etapa da viagem. A chegada ao Brasil está prevista para o dia 11, quinta-feira.

