Marina Sarruf
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São Paulo – O estande da Câmara de Comércio Árabe Brasileira na Feira Internacional de Trípoli, na Líbia, recebeu cerca de 20 empresas líbias interessadas em importar alimentos como carne, frutas, soja e café; material de construção, como cimento e cerâmica; maquinários para o setor de plástico; e autopeças. Os dois primeiros dias do evento, que começou quarta-feira (03), são abertos somente para empresários.
De acordo com o analista de Desenvolvimento de Mercado da Câmara Árabe, Marcus Vinicius, que está na feira, a entidade foi procurada também por um representante do Conselho de Investimentos da Líbia, interessado em atrair investimentos brasileiros para o país árabe. Além dele, passaram ainda no estande membros do Conselho Líbio de Empresários, interessados no setor de carne.
O estande brasileiro na mostra, que é multissetorial, tem 54 metros quadrados e está divulgando as atividades de diversos setores, como têxtil, café, carne, frango, calçados e de produtos médico-hospitalares. A feira costuma reunir dois mil expositores de 30 países. O diretor executivo da Associação Brasileira de Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo), Hely Maestrello, também estará na Líbia na próxima semana para buscar mercados para os produtos do setor.
Paralelamente à feira, o gerente de comércio exterior da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Márcio Caparroz, acompanhado do coordenador de Desenvolvimento de Mercado da Câmara Árabe, Rodrigo Solano, estão tendo uma série de encontros com representantes do ramo de carnes local. Ontem, eles estiveram com o diretor do escritório de comissão técnica da Secretaria da Agricultura, Saúde Animal e Marinha, Ibrahim Sharef Bem Sassi.
Segundo Solano, o Brasil é o maior fornecedor de carne ao mercado líbio. No entanto, a maior parte do produto brasileiro embarcado é congelada, o que não é considerado de alta qualidade no mercado, sendo vendido pela metade do preço da carne fresca. “A idéia agora é introduzir o conceito de carne embalada a vácuo”, disse. Outro problema enfrentado pelo Brasil é o de logística. A carne brasileira leva cerca de 50 dias para chegar na Líbia.
As exportações brasileiras para a Líbia no ano passado somaram US$ 238,66 milhões, o que representou um aumento de 17,35% em relação a 2006. Os principais produtos embarcados foram minério de ferro, açúcar, carne bovina, aviões, leite, granito, carrocerias e madeira.
O Brasil importou do país árabe, no ano passado, óleo bruto de petróleo e naftas para petroquímica. As importações somaram US$ 995 milhões em 2007 contra US$ 288 milhões no ano anterior.

