São Paulo – A Gulfood, feira do setor de alimentos que ocorre em Dubai desde domingo (08), está rendendo bons negócios para as indústrias de doces. Pelo menos três delas já fecharam vendas durante o evento, que tem espaço brasileiro. "Fizemos 60 contatos na feira até agora e fechamos oito vendas", revelou Gilberto Jorge Millen, diretor da Millen Internacional, trading que representa a marca de doces Cory.
Entre os países para os quais a empresa vai enviar seus produtos estão Líbano, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Nigéria e Mongólia. Quase todos são mercados novos para a indústria, que também fechou vendas para clientes com os quais já vinha negociando antes do evento. Atualmente, a Millen já está presente em 27 países, incluindo Iêmen, Egito e Palestina. A empresa já havia feito embarques para o Líbano, mas não vinha mantendo vendas para o país.
As vendas para os árabes feitas no evento foram, principalmente, de balas de café, além de chocolates e biscoitos. O empresário revelou ainda que os árabes têm bastante interesse em pães de mel e palitos doces com cobertura de chocolate.
Este ano é o sétimo no qual a empresa participa da feira. Na última edição, a Millen viu a necessidade de que os produtos tivessem a certificação halal, que atesta que os alimentos são produzidos de acordo com a lei islâmica. Em 2015, os produtos da Millen já vieram com esta certificação.
“O alcance do (produto) halal é maior. Com o halal, você fica habilitado a vender para 100% do público (nos países árabes). Quando você pensa em halal, você pensa no consumidor. Sem o halal, você vende para filipinos e outros asiáticos, com o halal, você entra nos supermercados e vende para os árabes também”, explicou.
Doces de Aladim
A Aladim, empresa de Mirassol, interior paulista, participa da Gulfood pela segunda vez e está retomando as exportações para o mercado árabe, com um contêiner de pirulitos vendidos para o Iêmen. Uma empresa de Trinidad e Tobago também fechou a compra do mesmo volume do produto durante a feira.
Atualmente, a Aladim não exporta para países árabes, mas há alguns anos realizou embarques para nações como Arábia Saudita, Argélia e Egito. Carlos Augusto Heming, trader da empresa, também aponta a certificação halal como importante estratégia de vendas na região.
“Sempre nos pediam a certificação halal. Vim o ano passado e não tínhamos, mas agora temos. Isso foi muito importante, porque todos (os potenciais clientes) pediam”, disse, acrescentando que as embalagens dos produtos também foram adequadas para as vendas na região trazendo todas as informações em árabe.
Os pirulitos são o carro-chefe da empresa, que também se destaca nas vendas de chicletes. Hoje, os produtos da Aladim estão em 20 países, sendo Estados Unidos, Paraguai e Uruguai os principais destinos das exportações.
Na feira, no entanto, a atenção da empresa está voltada para outras regiões. “Viemos na feira muito focados em fechar com a Arábia Saudita, Norte da África e Angola”, destacou Heming.
Os caminhos para isso parecem estar se abrindo. “Já estamos negociando com um saudita. Ele provou (os doces) aqui e gostou. Ele vai mostrar para os clientes dele e, se for aprovado, já temos mais que meio caminho andado para dar continuidade”, revelou. Heming contou ainda que um importador da Somália, que também atende ao mercado do Djibuti, ficou interessado nos chicletes da empresa.
Hora de vendas
A Riclan, de Rio Claro, estado de São Paulo, já havia conversado com a reportagem da ANBA no domingo (09), também destacando a certificação halal de seus produtos como novidade para esta edição da Gulfood. Nesta terça-feira (10), Antônio da Silva, diretor de negócios internacionais, contou que a indústria fechou algumas vendas durante o evento.
Ele não revelou o número total de países com os quais fez negócios na feira, mas disse que entre eles estão Kuwait, Palestina, Iêmen e Arábia Saudita. Entre os produtos negociados estão pirulitos, gomas de mascar e caramelos. O valor total das vendas fechadas até agora na feira pela Riclan somam US$ 800 mil.


