São Paulo – Quatro grandes empresas brasileiras aguardam o desfecho do conflito na Líbia para saber como vão ficar seus negócios no país. Apesar das incertezas, elas têm esperança de retomar suas atividades. O diretor executivo de Relações Institucionais da Construtora Andrade Gutierrez, Flávio Machado Filho, por exemplo, disse à ANBA que a companhia quer retomar as obras que tem em Trípoli.
Ele lembrou que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, informou esta semana que o Conselho Nacional de Transição líbio (CNT) garantiu que os contratos firmados com empresas brasileiras durante o regime de Muamar Kadafi serão honrados. O contato com os rebeldes foi feito pelo embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantônio Neto.
“Nós confiamos muito nessa posição”, declarou Machado. “Se o ministro Patriota diz que o governo de transição [líbio] assumiu o compromisso de manter as relações e os compromissos, para nós está de bom tamanho. Confiamos na força do bom senso e que o governo brasileiro vai defender os interesses nacionais [no exterior], como tem feito nos últimos anos”, acrescentou.
Segundo ele, o mercado líbio “ainda interessa muito” à empresa, mas a “volta à normalidade institucional” é essencial para que os negócios sejam retomados. “O Norte da África é uma região importante como um todo”, destacou.
A Andrade Gutierrez tem quatro obras de urbanização em Trípoli, que envolvem serviços de canalização, pavimentação, entre outros, no valor de US$ 600 milhões. Elas estão paradas desde que o conflito civil eclodiu no país e os trabalhadores estrangeiros, incluindo brasileiros, foram evacuados. Apenas os funcionários líbios permaneceram. Machado ressaltou que recebeu informações dando conta que os equipamentos da companhia na Líbia não foram danificados.
Na mesma linha, o grupo Odebrecht espera poder retomar suas atividades. A empresa era responsável pela construção do novo Aeroporto Internacional de Trípoli e de um anel viário na capital líbia. “A expectativa da empresa é voltar à operação, mas ainda analisa o cenário para tomar qualquer decisão”, informou a companhia em comunicado.
A Odebrecht chegou a ter quase 4 mil funcionários no país, mas a maior parte foi retirada em fevereiro com o início dos conflitos. Permaneceram os trabalhadores locais que, segundo a empresa, estão responsáveis pelos ativos da companhia na Líbia.
Os dois projetos eram financiados pelo governo de Kadafi. Em 2009, o aeroporto estava avaliado em 969 milhões de euros e o anel viário em 250 milhões de euros, conforme a ANBA noticiou na época. A companhia não divulgou o valor atualizado dos contratos. Trinta por cento das obras de ambos foram executadas até a interrupção, de acordo com a empresa.
Outra construtora, a Queiroz Galvão, também tem negócio no país. Em 2008, ela tinha quatro contratos de obras de infraestrutura urbana no valor de US$ 500 milhões. Por meio de sua assessoria de imprensa a companhia informou que “mantém todos os seus projetos na Líbia e que aguarda o desfecho dos acontecimentos para definir ações futuras”.
Da mesma forma, a Petrobras, que procurava petróleo na costa líbia do Mar Mediterrâneo, informou, também por meio de sua assessoria de imprensa, que seus projetos foram suspensos, os funcionários brasileiros foram retirados em fevereiro e “que ainda é cedo” para a empresa “tratar de seu futuro na Líbia”. A estatal brasileira acrescentou que “acompanha a situação” no país.

