Isaura Daniel
São Paulo – Três empresas brasileiras vão mostrar suas coleções de jóias no Golfo Arábico neste mês de novembro. A Fiamma, a Talento Jóias e a Vancox participam da Jewellery Arabia, de terça-feira (07) até o dia 11, em Manama, no Bahrein, e da Abu Dhabi International Jewellery and Watch Show, entre os dias 15 e 19, nos Emirados Árabes Unidos. A participação é organizada pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). É a primeira vez que o instituto promove a participação das empresas na feira de Abu Dhabi e a terceira na mostra do Bahrein.
De acordo com o diretor internacional do IBGM, Edmundo Calhau, a feira de Manama recebe muitos compradores da Arábia Saudita, além do próprio Bahrein. Em alguns dias, a mostra é aberta ao público consumidor, o que, segundo Calhau, abre possibilidade de faturamento imediato para as empresas expositoras , já que normalmente essas compras são feitas à vista. Metade dos consumidores finais que freqüenta a Jewellery Arabia é saudita, de acordo com Calhau. A Arábia Saudita, vizinha do Bahrein, vive um bom momento financeiro impulsionado pela alta dos preços do petróleo, commodity produzida pelo país.
Uma das características que chama a atenção para as jóias brasileiras, nas feiras do mundo árabe, segundo Calhau, é o colorido, proporcionado pela variedade das pedras nacionais. De acordo com ele, na Ásia, as pedras coloridas mais usadas são rubi, safira e esmeralda. Já a gama de pedras brasileiras vai bem além, com variedades como ametista, topázio e turmalina. Isso, segundo o diretor do IBGM, dá aos fabricantes brasileiros a possibilidade de produzir jóias alegres e com maior design. "O consumidor vê isso, essa diferenciação", explica.
As jóias brasileiras, segundo Calhau, normalmente têm preços de médio para alto e se caracterizam pelo design. As empresas que estão indo para essas duas feiras têm, de acordo com ele, produtos complementares, peças com bom acabamento e muito design. Apesar de grande parte das jóias brasileiras serem feitas em máquinas, como as que são vendidas no mundo árabe, a maior parte delas leva acabamento manual, outro diferencial. "As empresas brasileiras já fazem coleções específicas para o mercado árabe", lembra Calhau.
A Fiamma, a Talento e a Vancox terão estandes individuais, mas próximos um do outro, nas duas feiras. No total, o espaço brasileiro será de 72 metros quadrados no Bahrein e de 45 metros quadrados em Abu Dhabi. Para a participação na Jewellery Arabia, o IBGM contou com apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira na área de divulgação. O IBGM resolveu promover a participação nacional na mostra dos Emirados a partir de um convite recebido pelos seus organizadores, que ofereceram condições atraentes.
Os Emirados foram, no ano passado, o oitavo maior destino das jóias nacionais. O Brasil faturou US$ 8,9 milhões com exportações para o mercado árabe, com crescimento de 17% sobre 2004. Neste ano, segundo Calhau, o percentual de crescimento deve ser manter. Até setembro deste ano, o setor joalheiro nacionais teve receita de US$ 837 milhões com exportações, valor que deve alcançar US$ 1 bilhão até o final do ano, segundo estimativas do IBGM.

