Isaura Daniel
São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está com as inscrições abertas para empresas brasileiras que queiram participar da Feira Internacional de Cartum, que vai ocorrer entre os dias 24 de janeiro e 02 de fevereiro na capital do país árabe. A mostra é multissetorial e ocorre todos os anos. Essa é a segunda participação da entidade na mostra. A primeira foi no começo deste ano. As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de janeiro junto ao Departamento de Marketing da Câmara Árabe.
O potencial econômico do Sudão é um dos motivos pelos quais a entidade resolveu participar novamente da feira. "O Sudão está com números expressivos de crescimento. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto do país para este ano é de 12%", afirma o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr. Ele lembra ainda que o comércio do país árabe com o Brasil aumentou desde a última participação na feira e também em função do trabalho feito pela entidade em conjunto com a embaixada do Sudão em Brasília.
A corrente comercial entre os dois países alcançou US$ 74,3 milhões entre janeiro e novembro deste ano, com aumento de 20,6% sobre o mesmo período de 2005. A maior parte – US$ 74,2 milhões – correspondeu a exportações do Brasil. O presidente da Câmara Árabe lembra também que o número de sudaneses que vieram ao Brasil para fazer negócios neste ano também foi maior. "Isso demonstra que estamos no caminho certo", diz Sarkis. O embaixador do Sudão em Brasília, Rahamtalla Mohamed Osman, afirma que há muitas oportunidades para empresas brasileiras no Sudão. Ele cita principalmente o setor de infra-estrutura, onde há necessidade de material de construção para aeroportos, rodovias, portos e obras do gênero, além de máquinas agrícolas.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, os setores nos quais o Brasil tem boas chances de vendas no Sudão são o de alimentos industrializados, como chocolates, leite em pó, laticínios e balas, máquinas em geral, principalmente para refinarias de açúcar, materiais de construção como pisos e cerâmicas, móveis para residências e escritórios, e softwares principalmente para automação. Também há oportunidades, segundo Alaby, para empresas de engenharia. Segundo Alaby, já há quatro empresas brasileiras, das áreas de móveis e refrigeração, interessadas em participar da feira.
A tendência do Sudão, afirma o secretário-geral da Câmara Árabe é de crescimento de renda principalmente em função do petróleo. O país fez descobertas recentes de petróleo. "O Brasil tem que aproveitar a oportunidade neste momento de crescimento da economia do Sudão para conquistar seu mercado", recomenda Sarkis. Na verdade, fornecedores de várias partes do mundo já despertaram para o potencial do Sudão. O embaixador Osman afirma que há muita concorrência no mercado. "Empresas de todo o mundo exportam para o Sudão. É possível achar produtos de vários países no Sudão", afirma o diplomata.
A China é o país que mais compra produtos, principalmente petróleo, do Sudão. Os chineses respondem por 71,1% das exportações sudanesas, seguidos do Japão, com 12%, e da Arábia Saudita, com 2,8%. Os sudaneses exportam petróleo e seus derivados, algodão, gergelim, gado, amendoim, goma arábica e açúcar. Entre os países que exportam para o Sudão também a China está em primeiro lugar, com 20,7%. Depois vêm Arábia Saudita, com 9,4%, Emirados Árabes Unidos, com 5,9%, Egito, com 5,5%, Japão, com 5,1%, e Índia, com 4,8%. Os produtos importados são alimentos, bens manufaturados, equipamentos de refinaria e transporte, produtos medicinais e químicos, têxteis e trigo.
As receitas do Sudão com petróleo devem chegar a US$ 5 bilhões neste ano de 2006. O país tem reservas comprovadas de 1,6 bilhão de barris e produz ao dia cerca de 400 mil barris. Os investimentos diretos estrangeiros no país alcançaram US$ 2,3 bilhões no ano passado. O PIB cresceu 8% e ficou em US$ 26,9 bilhões. A agricultura responde por 80% dele, seguido da indústria, com 7%, e do setor de serviços, com 13%.
Em Cartum
No ano passado, a Câmara Árabe teve um estande também de 30 metros quadrados na Feira Internacional de Cartum. Duas empresas, a Plasvale, produtora de plásticos, e a Tirolez, indústria de laticínios, participaram. De acordo com Alaby, a idéia é tentar agendar, com a ajuda da embaixada do Sudão em Brasília e Federação dos Empresários Sudaneses, encontros de empresários brasileiros com sudaneses, de acordo com os interesses específicos de cada um.
Segundo Sarkis, além da feira, deve ser organizado, durante ano de 2007, alguma outra ação em conjunto com os sudaneses. O embaixador do Sudão em Brasília lembra que, quem participar da mostra terá oportunidade de vender também para outros países da região, já que a Feira Internacional de Cartum, que está em sua 24ª edição, costuma atrair empresários de nações vizinhas.
Informações e inscrições
Departamento de Marketing da Câmara Árabe
Telefone: +55 (11) 3283 4066 ramal 4073
E-mail: marketing@ccab.org.br

