Isaura Daniel
São Paulo – Em torno de 80 empresários sauditas foram até o Hotel Intercontinental, ontem (21), em Riad, na Arábia Saudita, para conhecer mais de perto produtos fabricados por companhias brasileiras. Eles participaram de encontros de negócios com um grupo de cerca de 15 empresários que viajou do Brasil ao Oriente Médio para uma missão comercial. "Os brasileiros saíram bem satisfeitos das rodadas", disse à ANBA por telefone o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., que está no país árabe com a delegação, ao lado do secretário-geral da entidade, Michel Alaby.
Os sauditas manifestaram interesse principalmente em alimentos, como carne de frango, açúcar e soja, de acordo com o chefe substituto da Divisão de Operações de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Rodrigo de Azeredo Santos, que também integra a missão. Os sauditas já são grandes compradores da carne de frango do país.
Eles também procuraram, segundo Sarkis e Alaby, por eletrodomésticos, material de construção, produtos têxteis, aço, portas de madeira, ferramentas e calçados fabricados no Brasil. Minério de ferro e caminhões frigoríficos foram outros dois produtos sobre os quais sauditas buscavam informações, de acordo com Azeredo.
Os representantes da CCAB receberam dez consultas de empresários interessados em negociar com companhias nacionais. Apenas um deles era exportador. Os demais queriam comprar. Além da CCAB, também participaram das rodadas representantes de outras entidades e empresas, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), Petrobras, Vale do Rio Doce e Docol Metais Sanitários, entre outras.
O representante da Petrobras na delegação, o gerente-executivo internacional para Américas, África e Eurásia, João Carlos Araújo Figueira, teve um encontro no Ministério do Petróleo da Arábia Saudita para avaliar a possibilidade de desenvolver cooperação na área de gás. Já o gerente de avaliação de projetos da Vale do Rio Doce, Edson Ribeiro, se encontrou com representantes da Saudi Basic Industries Corporation, estatal saudita da indústria de base, interessados em minério.
Mais comércio
As rodadas de negócios foram abertas por um seminário, no qual falaram o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, o presidente do Conselho das Câmaras Sauditas de Comércio e Indústria e da Câmara de Comércio e Indústria de Riad, o xeque Abdul Rahman Al-Jeraissy, o embaixador do Brasil em Riad, Luis Sérgio Gama Figueira, e o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Mario Vilalva, além de representantes da Abiec, Abihpec, Banco do Brasil e Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Al-Jeraissy falou da necessidade de tornar o comércio entre o Brasil e a Arábia Saudita mais direto, sem intermediação de terceiros países. O presidente do Conselho das Câmaras Sauditas afirmou que o Brasil é hoje o 15º principal parceiro da Arábia Saudita, mas que os negócios podem crescer ainda mais. A Arábia Saudita, de acordo com Al-Jeraissy, cresceu 5% em 2004, com um Produto Interno Bruto de US$ 188 bilhões, e deverá crescer mais 4% neste ano. A renda per capita do país é US$ 12 mil, segundo Al-Jeraissy.
O Brasil importou US$ 1,2 bilhões da Arábia Saudita no ano passado, basicamente em petróleo, e exportou US$ 825 milhões. Os principais produtos vendidos foram carne de frango, derivados de soja, açúcar e minério de ferro. De acordo com Azeredo, o tom dos discursos foi a necessidade de reforçar o comércio e também diversificar a pauta de produtos.
Convite
No início da manhã, um grupo de empresários, do qual os representantes da CCAB fizeram parte, acompanharam o embaixador Vilalva ao Ministério de Indústria e Comércio da Arábia Saudita. Em reunião com o diretor geral do controle de qualidade da pasta, Hamad A. Al-Awty, e com o assistente do Ministério de Comércio Exterior, Ahmed Bedaiwi, o grupo pediu que fosse transmitido aos empresários locais o convite para integrar as delegações da reunião de cúpula dos países árabes e sul-americanos, prevista para ocorrer em maio no Brasil.
Paralelamente ao encontro de chefes de estado vão ocorrer reuniões de negócios e seminários voltados para empresários e investidores. Sarkis e Alaby também entregaram um relatório elaborado pela CCAB sobre as relações econômicas entre a América do Sul e os países árabes.

