São Paulo – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu 26 novos sítios à lista de patrimônios mundiais durante a 38ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial encerrada nesta quarta-feira (25) em Doha, no Catar. Três são localizados em países árabes: a Cidadela de Erbil, no Iraque, o centro histórico de Jeddah, na Arábia Saudita, e a Terra das Oliveiras e Vinhas, na Palestina.
Com as adições realizadas durante os dez dias de reunião na capital catariana, a lista do Patrimônio Mundial passou a contar com 1007 sítios históricos, naturais e mistos em 161 países.
A Cidadela de Erbil domina a paisagem da região central da capital do Curdistão Iraquiano, na região norte do país árabe. O local é habitado desde a antiguidade, foi um importante centro político e religioso assírio, segundo a Unesco, mas evidências encontradas lá sugerem que o povoamento do sítio é ainda mais antigo.
O ajuntamento urbano fortificado fica no topo de um monte e a junção dos muros com a encosta dá a impressão de se estar diante de um enorme paredão. O morro, de acordo com a Unesco, foi criado pela ação do homem, após gerações terem construído e reconstruído no mesmo lugar. É considerado um dos locais continuamente habitados mais antigos do mundo.
Até a década passada ainda havia gente morando nas casas de pedra e barro da cidadela, mas as últimas famílias foram retiradas para viabilizar obras de restauração. Por esta razão, boa parte do sítio está hoje fechada ao público. Em frente à fortaleza, ao pé do morro, fica o bazar central de Erbil, movimentado polo de comércio popular.
A cidade de Jeddah é desde os primórdios do Islã considerada a porta de entrada dos peregrinos que vão a Meca. Antigamente os viajantes chegavam pelo porto no Mar Vermelho, hoje desembarcam no aeroporto internacional.
Os séculos que passou como ponto de encontro de pessoas e como polo de comércio se refletem no centro histórico, onde ricos mercadores construíram suas casas de calcário e coral. Lá ainda estão os antigos portões que davam acesso à cidade quando ela era murada, os movimentados “souqs” (mercados) e até um cemitério onde, dizem, está enterrada Eva. Os rostos das pessoas que por lá circulam denunciam a característica cosmopolita de Jeddah.
Já o sítio palestino incluído na lista, segundo a Unesco, fica a poucos quilômetros a sudoeste de Jerusalém, numa região montanhosa entre as cidades de Nablus e Hebron. A localidade, onde fica a vila de Battir, é composta por vales cultivados onde o destaque são os terraços de pedra, sendo alguns irrigados e outros secos e plantados com vinhas e oliveiras. A irrigação é feita por canais e a água vem de fontes subterrâneas.
Se a Cidadela de Erbil e o centro histórico de Jeddah são patrimônios culturais, este é um patrimônio misto, ou seja, tanto cultural como ambiental. O sítio palestino foi incluído também no rol de patrimônios mundiais em perigo.
Ainda durante a reunião em Doha, o primeiro-ministro do Catar, Abdullah Bin Nasser Bin Khalifa Al Thani, anunciou a doação de US$ 10 milhões para um novo fundo destinado a proteger sítios tombados pelo Patrimônio Mundial de conflitos e desastres naturais.


