Isaura Daniel
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São Paulo – "Se o Brasil tivessse tido em vez de um Montenegro, cinco Montenegros, seria um país infinitamente melhor, mais preparado para o futuro". A frase acima foi dita pelo jornalista e escritor Fernando Morais a respeito do militar brasileiro Casimiro Montenegro, fundador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um dos mais importantes centros de formação em tecnologia da aviação.
Morais falou sobre o tema durante o 2º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que ocorreu entre segunda-feira (23) e hoje (25), no Hotel Hilton, em São Paulo. Montenegro é personagem do último livro do escritor, chamado "Montenegro, as aventuras do marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil", lançado no final do ano passado.
A publicação será traduzida para o inglês por iniciativa do Ministério das Relações Exteriores, segundo Morais. Montenegro, cearense que chegou em São Paulo com um pouco mais de 20 anos, começou a sua carreira como piloto militar nos anos 20. Adepto da linha política do ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas, Montenegro foi um dos militares que ajudou Getúlio a tomar o poder no Brasil nos anos 30.
Ele também foi criador do correio aéreo nacional. Antes dele, a correspondência, no país, era enviada apenas via terrestre. Foi Montenegro quem convenceu prefeitos de vários rincões do Brasil a abrirem pistas para o pouso das aeronaves.
A idéia de criar o ITA surgiu depois que o militar conheceu o Massachussets Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos. Enfrentou resistência de vários governos e problemas burocráticos até conseguir colocar a sua idéia em pé, na década de 50. Trouxe para o país especialistas de cerca de 18 países para ensinarem aos brasileiros a tecnologia da aviação. Em seus primeiros anos, de acordo com o livro de Morais, o ITA encontrou algumas dificuldades como a resistência dos governantes brasileiros, que teimavam em chamar professores e alunos de comunistas.
O instituto afinal, foi o que acabou dando origem à Embraer, empresa que está hoje entre as maiores fabricantes de aviões do mundo. "O Brasil tem material humano da melhor qualidade para fazer o que o Montenegro fez", disse o escritor a uma platéia formada principalmente por empresários.

