São Paulo – O economista Alaa Eldin Hussien Aly é o novo chefe do escritório comercial do Egito em São Paulo. Com o cargo de cônsul, ele substitui Mahmoud Mazhar, que deixou o posto. Aly é PHD em economia e traz na bagagem a experiência adquirida em representações comerciais egípcias em países como o Quênia, Romênia e Portugal, além de passagens pelo Banco Central egípcio e por câmaras de Comércio. Sua principal missão será promover as exportações do país árabe ao Brasil.
"O escritório [em São Paulo] é o braço da embaixada [egípcia] responsável por incentivar as relações econômicas e comerciais entre os dois países", disse o diplomata à ANBA, durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde foi recebido pelo CEO da entidade, Michel Alaby, e pelo vice-presidente de Relações Internacionais, Helmi Nasr. "Há uma grande diferença entre o que o Egito importa do Brasil e o que exporta, e queremos diminuir essa distância", acrescentou.
O Egito é um dos principais destinos dos produtos brasileiros no mundo árabe, mas a balança comercial é tradicionalmente deficitária para o país do Norte da África. Aly acredita ser possível fomentar as vendas de mercadorias como vegetais, frutas, medicamentos, equipamentos médicos e hospitalares, produtos químicos, confecções e artesanatos do Egito ao Brasil.
Para tanto, ele pretende convidar empresários egípcios a visitar o Brasil e a participar de feiras de negócios no País. "Temos que mostrar o que podemos fazer", destacou. O diplomata vai também fazer contatos com empresas e entidades setoriais brasileiras e quer viajar a outros estados como parte de sua ação de promoção comercial.
Além do comércio, Aly vai trabalhar para o aumento da cooperação bilateral, atração de investimentos ao Egito e difusão do turismo. Ele ressaltou que, apesar do levante popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, seu país recebeu seis milhões de turistas no primeiro semestre.
A revolução, segundo ele, fez cair os preços dos hotéis, passagens aéreas e imóveis. Nesse sentido, o diplomata ressaltou que esta é uma boa hora para conhecer o Egito e para fazer investimentos no país. O vice-cônsul, Haythan Abdel-Ghany, acrescentou que, com a revolução e a crise econômica internacional, os preços em geral estão mais baixos. Durante anos o Egito teve dificuldades para conter a inflação.
A situação política egípcia não afetou, porém, o comércio bilateral. Pelo contrário, as exportações do Brasil ao Egito renderam mais de US$ 2 bilhões de janeiro a outubro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), um crescimento de 31% em relação ao mesmo período de 2010. No mês passado, o mercado egípcio foi o principal destino dos produtos brasileiros no mundo árabe, posição que tradicionalmente é da Arábia Saudita.
Na outra mão, as importações somaram US$ 274 milhões até agora em 2011, um aumento de 86% sobre o período de janeiro a outubro do ano passado.
Aly destacou que os principais produtos importados pelo Egito do Brasil são alimentos, como carne bovina, frango e açúcar. "As pessoas não podem deixar de comer", declarou, acrescentando que as carnes de boi e frango fazem parte do dia a dia da mesa dos egípcios.
Ele comentou que, com a revolução, é natural que a economia egípcia tenha sofrido estagnação, mas ressaltou que em setembro já foram sentidos "alguns avanços", com a retomada de investimentos estrangeiros que haviam sido suspensos.

