Isaura Daniel
São Paulo – Quem disse que na casa dos antigos mercadores de especiarias não há espaço para temperos e sabores brasileiros? As pimentas e cravos-da-índia produzidos no Brasil estão na mesa de países como Tunísia, Marrocos, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Iêmen, Jordânia, Mauritânia e Líbano. A Ruette Spice, exportadora paulista de pimenta e cravo-da-índia, fornece os dois produtos para o mundo árabe.
A Ruette Spice pertence ao grupo Embramac e trabalha exclusivamente com o mercado internacional. No ano passado exportou 7,4 mil toneladas de pimenta do reino e 2,2 mil toneladas de cravo-da-índia. De acordo com o vice-presidente da Embramac, José Ruette Filho, a empresa quase triplicou suas vendas nos últimos dois anos. Mas apesar de importar os produtos, os árabes ainda não são grandes clientes da empresa.
Além da Ruette Spice, a Embramac também possui a Ruette Fresh, empresa exportadora de frutas. A Ruette Fresh vendeu no ano passado 360 mil caixas de tangerina no mercado internacional. Neste ano, a safra de frutas da Ruette rendeu 440 mil caixas que foram exportadas. As frutas também são vendidas para o mercado árabe. As vendas de tangerina para os árabes são maiores do que as de especiarias, de acordo com José.
A Ruette Spice e a Ruette Fresh atendem juntas 72 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Japão, Rússia, Ilhas Maurício, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Vietnã e Malásia. Neste ano, as empresas começaram a exportar também para o Nepal e para a Islândia. Para o mercado árabe, os produtos são enviados há cerca de sete anos. De acordo com José, as vendas começaram quando árabes que compravam os produtos da empresa via Europa entraram em contato diretamente.
Tanto as frutas quando a pimenta e o cravo são comprados de terceiros pelas duas empresas. No caso das especiarias, metade da produção é adquirida de produtores cadastrados e a outra metade vem de agricultores que recebem capital para plantio e cultivo, além de acompanhamento de agrônomos da Ruette. A pimenta é produzida no Pará e o cravo no sul da Bahia. A mesma estrutura existe no caso das frutas. O cultivo das tangerinas, porém, é feito no estado de São Paulo.
A Ruette Spice foi fundada em 1998 e tem suas atividades administrativas centradas em Campinas, interior paulista. Para cuidar da logística e do despacho aduaneiro, a empresa tem um escritório em Belém, no Pará, e um centro de embalagem em Castanhal, também no Pará. Para o cravo-da-índia a empresa tem um escritório e um centro de embalagem em Valença, na Bahia. A Ruette Fresh também tem sede principal em Campinas, além de um escritório e um centro de embalagem em Limeira, no interior de São Paulo. A empresa foi fundada em 2003.
A Ruette Fresh mantém uma parceria com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) e o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Ela participa, com os seus produtos, do Brazilian Fruit Festival, por meio do qual, as duas entidades promovem degustação de frutas brasileiras em mercados internacionais. O projeto começou a ser implantado no ano passado e deve percorrer um total de 18 países até o final do ano que vem, entre eles Arábia Saudita, Emirados, Líbano e Catar. A Ruette Fresh também tem parceria com o Carrefour. A empresa forneceu frutas para degustação em supermercados da rede na Polônia, República Tcheca e Eslováquia.

