Alexandre Rocha
São Paulo – A Companhia Árabe-Líbia de Investimentos Estrangeiros (Lafico, na sigla em inglês), estatal que controla os investimentos do governo líbio no exterior, estuda montar uma filial no Brasil. A idéia é criar uma holding para prospectar e cuidar dos eventuais negócios da empresa no país. "A idéia é criar empresas voltadas para setores específicos, como agropecuária e turismo, e procurar projetos para investimento", disse à ANBA o embaixador da Líbia em Brasília, Mohamed Heimeda Matri.
O diplomata espera que as operações tenham início antes do final do ano. Embora ainda não estejam definidos os setores em que o governo líbio vai investir, Matri disse que, além do agronegócio e do turismo, o segmento de minério de ferro também desperta interesse. "Na Líbia nós temos a maior fábrica de aço para o setor de construção da África e importamos minério do Brasil. Estamos estudando firmar uma parceria com uma empresa brasileira que produz pelotas de ferro", disse o diplomata.
Embora a Lafico ainda não tenha um escritório no Brasil, um dos projetos de interesse do governo do país árabe já começou a caminhar. De acordo com Matri, há quatro meses a estatal líbia fechou um acordo com a construtora Norberto Odebrecht para a realização de um estudo de viabilidade sobre a construção um sistema de irrigação na Bahia. A empresa brasileira confirmou a assinatura do acordo.
A ANBA noticiou o interesse da Lafico por projetos de irrigação no Vale do Rio São Francisco no início do ano passado, quando da visita de diretores da companhia ao Brasil. Segundo Matri, a decisão de levar adiante o negócio demorou a sair porque o governo de seu país estava à espera da aprovação da Lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs) pelo Congresso brasileiro, o que ocorreu em dezembro de 2004.
De acordo com Matri, o negócio envolve uma área de 90 mil hectares e investimentos de até US$ 450 milhões. Ele espera que o estudo de viabilidade esteja pronto até setembro. O governo líbio tem interesse também em investir na agricultura da região. Investimentos no setor de aviação também estão sob estudo.
Desde a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez à Líbia em dezembro de 2003, as relações comerciais entre o Brasil e o país árabe vêm crescendo de maneira significativa. No ano passado, a corrente comercial entre os dois países (exportações mais importações) chegou a US$ 173 milhões, ante US$ 78,6 milhões em 2003, um aumento de mais de 120%. Além disso, no início deste ano a Petrobras venceu uma licitação para explorar petróleo na costa da Líbia.

