Isaura Daniel
São Paulo – O estilista brasileiro Caio Von Vogt fará em dezembro a primeira exportação de um tecido ecológico fabricado a partir de fibra de juta, planta cultivada na região norte do país e utilizada para fazer sacos usados na armazenagem de alimentos. Vogt, paranaense que mora em São Paulo, concluiu o projeto de desenvolvimento do tecido, batizado como "ecovogt", em outubro, após seis anos de pesquisa.
Todo o processo de fabricação do pano é ecológico. A juta é cultivada sem aditivos químicos, a fiação feita com óleos vegetais inodoros, em vez de produtos químicos, e a tintura também é natural. O chá de macela e o açafrão, por exemplo, são usados para dar tons amarelos ao tecido. Pau-brasil e mamona são utilizados para gerar colorações vermelha, roxa e terra. Também os teares foram adaptados para a fabricação do pano de juta.
A empresa que cuidará das exportações do tecido é a Capelin Exportadora Ltda. A trading tem escritórios na Turquia, França e México. A primeira venda será feita para a Europa. O volume, porém, ainda não está definido. "Nosso mercado é o europeu, mas temos interesse de vender para todos os países, inclusive para os árabes", diz Vogt.
A Cia Têxtil do Castanhal é a responsável pela fabricação do tecido. Desde o último mês estão sendo produzidos cem mil metros por mês. A intenção, porém, é chegar a um milhão de metros mensais, de acordo com Vogt. Já ocorreram algumas iniciativas de produção de roupas a partir da fibra da juta, mas em nenhuma delas o tecido chegou a ser fabricado em grande escala ou com a preocupação ecológica.
Responsabilidade social
Para abastecer a produção, cerca de 20 mil famílias da região norte trabalham com o cultivo da juta. "O projeto tem uma causa nobre que é dar trabalho às famílias que dependem do plantio da juta", diz Vogt. A juta vem sendo substituída por uma matéria-prima mais barata, o polipropileno, na fabricação da sacaria. "Essas pessoas estariam sem trabalho", diz Vogt. A intenção do estilista é fazer com que as pessoas que compram roupas de tecido de juta saibam que estão usando um produto feito com preocupação social e ambiental.
Atualmente há um laboratório na Faculdade de Engenharia Têxtil (Unifei), em São Bernardo do Campo, aperfeiçoando o processo de fabricação do tecido. Cerca de 20 profissionais trabalham na área. A faculdade fechou uma parceria com Vogt há cerca de um ano.
Além de fabricar o tecido, o estilista Vogt também possui um show-room em São Paulo onde costura roupas de fibra de juta. Por enquanto, as peças são vendidas apenas sob medida, no ateliê, e em algumas butiques do país. A partir do próximo ano, porém, Vogt tem intenção de abrir uma loja exclusiva da linha e também apresentar as roupas na Europa. "Já tive um convite para fazer desfile na França."
Vogt também fabrica outros tipos de roupas dentro das linhas esportiva, streetwear e casual com as marcas "Von Vogt Brasil" e "Caio Von Vogt". As peças são vendidas em três lojas exclusivas em shoppings de São Paulo e no varejo multimarcas.
O estilista, nascido em uma pequena cidade do Paraná chamada Planalto, chegou a São Paulo quando ainda era adolescente para concluir o ensino médio. Vogt nunca fez curso de moda, mas chegou a trabalhar para grandes empresas. Ele desenvolve coleções para a Vicunha e até o ano passado trabalhava para a marca de jeans Etoile. A marca própria foi criada há cerca de oito anos.
Contato
Caio Von Vogt
Tel.: +55 (11) 3742-2880

