São Paulo – Os estrangeiros são o grupo de migrantes que habita a região metropolitana de São Paulo com melhores condições de vida, na comparação com os migrantes brasileiros. É o que revela comunicado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quinta-feira (06). O estudo foi feito com base nos dados colhidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A região metropolitana de São Paulo tem 19 milhões de habitantes. No estudo, porém, foram consideradas apenas as pessoas com idade entre 30 e 60 anos (8,163 milhões), por ser uma faixa etária em que a vida profissional do indivíduo já está mais definida. Entre essas pessoas, o total de indivíduos que veio de outras partes do País ou do exterior soma 46%.
Apesar de representar apenas 1% dos migrantes que vivem na região metropolitana de São Paulo, os estrangeiros apresentam um nível de escolaridade maior que os demais grupos. Entre os nascidos fora do Brasil, 46% têm nível superior, índice muito maior que o da média da região analisada, que é de 16,8%. Entre os brasileiros, o grupo que apresenta o maior nível de educação é o que inclui os migrantes da região Sudeste, Sul e Centro Oeste. Neste grupo, 27,1% concluíram o ensino superior. Na outra ponta, entre os baianos, 59% não chegou a concluir sequer o ensino fundamental.
O nível de desemprego também é menor entre os estrangeiros. A taxa de desemprego aberto, que mede a relação entre o número de pessoas desocupadas (procurando trabalho) e o número de pessoas economicamente ativas, da região como um todo era de 6,9%. Já entre os estrangeiros, a taxa era de 4,3%, segundo menor valor entre os migrantes, só ficando atrás dos mineiros, com 3,3%. A maior taxa de desocupação encontra-se com os pernambucanos, 8%.
Sobre a ocupação dos grupos de migrantes, os estrangeiros se destacam como o grupo que mais ocupa a posição de empregador, 13,4%. Os que trabalham com carteira assinada ou por conta própria somam 31,3% cada. Ainda no setor de trabalho, os estrangeiros apresentam a maior renda, R$ 4,058 mil, enquanto a média da região ficou em R$ 1,66 mil.
“O fato dos estrangeiros serem donos do próprio negócio reflete claramente na remuneração”, destacou Herton Ellery Araújo, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, durante entrevista coletiva concedida esta tarde em Brasília e transmitida via videoconferência.
Para avaliar a faixa de renda, a pesquisa dividiu os grupos em três classes sociais, analisando a renda domiciliar per capita dos indivíduos. Aqueles que vivem em residências cuja renda per capita é de até um salário mínimo foram classificados como “classe baixa”, aqueles cuja renda individual domiciliar é de mais de um até três salários mínimos são considerados “classe média”, e com mais de três mínimos, “classe alta”.
Entre os estrangeiros, 39% foram classificados como “classe alta”, a maior porcentagem entre os grupos. Apenas 15,6% dos estrangeiros estão na faixa considerada “classe baixa”. Em relação aos brasileiros, o grupo que tem o maior número de pessoas da “classe alta” são os migrantes das regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste, com 30,5%. Já os migrantes de Pernambuco são a maioria entre os de “classe baixa”, 57,2%.
Na questão de acesso à internet, os estrangeiros também se destacam. O estudo considera aqueles que acessaram a rede nos últimos três meses antes da pesquisa. Neste item, os estrangeiros somam 63,2%, o maior índice entre os grupos. Os pernambucanos tiveram a menor porcentagem de acesso à rede, 21,1%.

