Alexandre Rocha
São Paulo – Não são só as empresas que estão investindo em pesquisa no setor automobilístico no Brasil, as universidades também. É caso do Centro Universitário da FEI, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, que está expondo no 24ª Salão Internacional do Automóvel modelos ecologicamente corretos desenvolvidos por seus alunos.
Um dos destaques é o Astra híbrido, movido por 25 baterias elétricas que, por sua vez, são carregadas por um pequeno motor a explosão. "É um motor a combustão de baixa cilindrada, tem apenas um cilindro, por isso gasta muito pouco. Seu único objetivo é fazer funcionar o gerador que carrega as baterias", disse Milton Monteverde Belli, estudante de engenharia mecânica automobilística que trabalhou no projeto.
O carro, batizado de FEI X-19, é movido por um motor elétrico Siemens de 30 cavalos. De acordo com Belli, mantida uma velocidade entre 50 e 60 quilômetros por hora, o propulsor tem autonomia para funcionar durante seis horas. A caixa de câmbio original de cinco marchas do Astra foi mantida e o veículo pode atingir uma velocidade de 160 quilômetros por hora, de acordo com o estudante.
Caso a carga das baterias fique baixa, sensores ligam automaticamente o motor a combustão da marca Honda, sem que se tenha que parar o carro e ligá-lo à rede elétrica. Ao todo, segundo Belli, 10 pessoas trabalharam no projeto, uma atividade extracurricular patrocinada pela faculdade, e foram consumidos oito meses de trabalho. "Nós terminamos um dia antes do Salão", afirmou o estudante. O Salão do Automóvel começou no dia 19 e vai até o próximo domingo.
O trabalho é de pesquisa mesmo, os estudantes e a escola não têm a intenção de comercializá-lo, pelo menos não no curto prazo. Até porque mais adaptações seriam necessárias. As 25 baterias, por exemplo, ocupam boa parte da traseira do carro.
Eficiência energética
A escola apresenta também três modelos de competição que participaram da edição deste ano da Maratona da Eficiência Energética, promovida em Indaiatuba, no interior de São Paulo, pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). O FEI X-17 ganhou na categoria de carros elétricos, que vence quem conseguir percorrer a maior distância até o fim da carga da bateria.
Na categoria gasolina a FEI não ganhou a competição em si, mas ficou na primeira e na segunda colocações no quesito melhor projeto de veículo a gasolina, respectivamente com o FEI X-18 e o FEI X-16. Nesta disputa, ganha quem gastar a menor quantidade de combustível ao percorrer uma distância pré-determinada (quatro voltas em uma pista circular de 17,2 quilômetros).
No Salão, os estudantes expõem também o Fórmula FEI, carro de corridas que ganhou a edição deste ano da Competição SAE Brasil-Petrobras, promovida pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. O carro vai representar o Brasil na Formula SAE, disputa que será promovida no ano que vem em Michigan, nos Estados Unidos.
A faculdade ainda trouxe para a feira o FEI X-1, primeiro modelo desenvolvido por seus alunos em 1968 para ser um carro anfíbio.

