São Paulo – Apesar da crise econômica vivida pela Europa e da crise social por que passam alguns países árabes, há possibilidades de cooperação econômica e comercial entre as duas regiões. Foi este o tom do primeiro dia do Fórum Econômico Árabe-Europeu, nesta quarta-feira (12), em Beirute, no Líbano. O diretor geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, participa do encontro que segue até esta quinta-feira (13).
Realizado na sede da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, o fórum reúne empresários, representantes de governos, de instituições financeiras árabes e europeias e também de câmaras de comércio das duas regiões.
“O ministro da Economia do Líbano, Nicolas Daher, comentou da situação econômica atual do país, com altas reservas internacionais em moeda forte, cerca de US$ 45 bilhões, e os investimentos estrangeiros que, em 2011, chegaram a US$ 2 bilhões”, contou Alaby. “A grande preocupação, segundo o ministro, em relação aos países árabes, é a questão da segurança alimentar e a geração de empregos para a população jovem, [além de] melhorar o nível educacional, aumentar o comércio e os investimentos estrangeiros. A Europa, por intermédio de seu programa de ajuda educacional, poderá atuar decididamente na questão da educação e do treinamento profissional”, acrescentou.
O diretor geral disse que Phillippe de Fontaine, vice-presidente do Banco de Investimentos Europeu, comentou que os países mediterrâneos da África e do Oriente Médio (exceto Israel) devem aumentar o seu Produto Interno Bruto em 2012 em aproximadamente 3%, chegando a US$ 2 trilhões.
Alaby ressaltou também o comentário de Angelina Eickhart, chefe da delegação europeia no Líbano. Segundo ela, a Europa oferece apoio financeiro a projetos de pequenas e médias empresas naquele país, no valor de cerca de 1 milhão de euros, nos setores têxteis, de alimentos, metalurgia, móveis de madeira e artesanato.
Para Saeb Nahas, da Nahas Enterprises, empresa do setor farmacêutico, “os novos ventos soprando nos países árabes exigem dos empresários da região uma atuação mais ativa na busca de apoiar os governos em novas políticas econômicas, melhorar o nível educacional da população, buscar desenvolver mais comércio, fomentar investimentos nacionais via financiamentos externos oferecidos pela União Europeia e fundos árabes, com o objetivo de melhorar a infraestrutura”, segundo relatou Alaby.
De acordo com Alaby, Peter Bekx, diretor de Relações Econômicas e Financeiras da Comissão Europeia, previu dias difíceis para a Europa, em função da alta taxa de desemprego, desequilíbrio fiscal e a necessidade de governança corporativa nos países europeus. “Os países árabes devem melhorar o acesso ao mercado internacional de fundos e empréstimos, além de conseguir fundos por meio da abertura de capital de suas empresas”, ressaltou Bekx, segundo o diretor geral da Câmara Árabe.
“A integração entre os países árabes é a chave para melhorar o ambiente político e econômico, assim como o nível social. Os empresários podem ter papel importante nesta integração”, avaliou Alaby.
O primeiro dia do evento foi acompanhado por cerca de 400 pessoas, entre empresários e autoridades de países como Egito, Sudão, Iêmen, Tunísia, Argélia, Jordânia, Iraque, Líbia, Líbano, Síria e Arábia Saudita. Também estavam representadas a Câmara Árabe-Alemã, Câmara Árabe-Austríaca, Câmara Árabe-Inglesa e Câmara Árabe-Luxemburguesa.

