Agência Brasil
Davos (Suíça) – O Fórum Aberto de Davos – atividade paralela ao Fórum Econômico Mundial que conta com a presença de executivos, líderes que participam do evento principal, e de uma platéia repleta de adolescentes contrários a quase tudo – é um espetáculo à parte na semana mais movimentada do ano na cidade suíça.
Nesta quinta-feira, os debates foram intensos. De um lado, representantes de países em desenvolvimento, como Brasil e Tanzânia, e do outro emissários do governo da Suíça e o presidente mundial da Nestlè, Peter Brabeck.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, foi um dos palestrantes e disse que Davos é uma oportunidade única na busca pela retomada das negociações que foram adiadas desde a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México, em setembro de 2003.
Furlan defendeu que os países ricos deixem de subsidiar as exportações agrícolas e acabem com o protecionismo. "Os países desenvolvidos cobram para que sejamos competitivos, mas quando conseguimos, nos impõem uma série de dificuldades para vendermos nossos produtos", disse Furlan.
O representante do governo brasileiro aproveitou ainda para destacar a importância do país no cenário internacional. Afirmou que o Brasil não é contrário às negociações, mas a favor de "acertos justos". "Conseguimos, juntamente com outros países, como o Egito e a África do Sul, uma voz possível de ser ouvida", afirmou.
Furlan apelou para o bom-senso dos países ricos. Disse que se eles, por meio de suas iniciativas, conseguirem incluir pessoas no mundo do consumo haverá muito mais lucro.
O ministro do Comércio do Egito, Boutros-Ghali, reforçou o discurso de Furlan. Acrescentou que os acertos da OMC, daqui para frente, têm de focar a questão da agricultura, uma vez que as negociações de bens manufaturados – interesse dos países em desenvolvimento – já foram discutidas durante a rodada do Uruguai, que precedeu a criação da OMC.

