Isaura Daniel
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São Paulo – Quatro executivos da Kenana Sugar Company, maior indústria de açúcar do Sudão, estarão no Brasil a partir desta sexta-feira (03). O grupo vem ao país para conhecer melhor a expertise brasileira na área de álcool combustível. Eles têm interesse, de acordo com o coordenador de Desenvolvimento de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rodrigo Solano, em saber mais sobre a sua mistura de etanol com a gasolina, a formação de mercado para um produto novo como o álcool, o seu transporte, manuseio e estoque, além da legislação brasileira na área e a produção de carros flex-fuel, que podem ser movidos tanto a álcool como a gasolina.
A viagem ao Brasil começou a ser alinhavada durante a visita que Solano e o analista de Desenvolvimento de Mercados da Câmara Árabe, Jean Gonçalves da Silva, fizeram às instalações da empresa, no Sudão, em fevereiro deste ano. A comitiva da Kenana que virá ao Brasil será composta pela responsável por desenvolvimento de Produto, Sara Elkarib, pela executiva Hind Badr, pelo responsável pela Administração da Refinaria, Abdelmunim Gaafar, e pelo executivo de Desenvolvimento de Projeto, Abdelwahab Abuelrish.
No Brasil, o grupo terá várias atividades, que estão sendo organizadas com apoio da Câmara Árabe e da Embaixada do Sudão em Brasília. Os executivos da Kenana devem visitar, no Brasil, entidades ligadas ao setor de álcool e açúcar e centros de tecnologia na área, além de empresas produtoras de equipamentos para o segmento. Eles devem ficar no país, segundo previsão inicial, até a segunda quinzena do mês e farão, na própria sexta-feira, uma visita à sede da Câmara Árabe, em São Paulo, para encontro com as lideranças da entidade.
"Toda visita de estrangeiros que vêm ao Brasil conhecer centros de excelência na área de álcool e açúcar é interessante porque o país pode vender as suas máquinas na área", lembra o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby. O secretário-geral afirma que pode ser vantajoso para o Brasil produzir álcool e açúcar em parceria com o Sudão. "O Brasil sofre barreiras nesta área por parte da União Européia e os Estados Unidos. Uma plataforma de produção em terceiros países, como o Sudão, pode ser uma forma de fugir destas barreiras", diz Alaby. A Kenana já manifestou sua intenção de ter parcerias com empresas brasileiras na área de etanol.
Essa não será a primeira vez que representantes da Kenana vêm ao Brasil. Eles já estiveram no país em outras oportunidades buscando intercâmbio e negócios na área de etanol e açúcar. A empresa produz 450 mil toneladas de açúcar por ano e deve começar a fabricar, nos próximos anos, também etanol. A Kenana pretende dobrar também, segundo notícia publicada na ANBA em janeiro deste ano, a sua produção de açúcar em três anos. A empresa está expandindo sua capacidade com a construção de novos complexos industriais. O açúcar produzido pela companhia é feito com açúcar bruto comprado em outras regiões, como o Brasil, e com cana-de-açúcar plantada no próprio Sudão.
A empresa importa 60 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil ao ano para processamento. Parte do maquinário usado na colheita da cana-de-açúcar da Kenana foi comprado do Brasil. Também uma variedade de cana utilizada pela companhia sudanesa é de São Paulo. O açúcar produzido é consumido no mercado interno e também exportado para países da Europa e do Golfo Arábico. A Kenana está localizada na cidade de Rabak, a 300 quilômetros ao sul da capital Cartum. Ela é uma empresa de capital misto, privado e estatal. O maior acionista é o governo do Sudão.

