São Paulo – Os brasileiros que vivem no Líbano querem mais contato com a cultura, o idioma e a literatura do seu país de origem. A informação é do historiador Roberto Khatlab, que participou, na última semana, da 2ª Conferência Brasileiros no Mundo, no Rio de Janeiro. Khatlab mora no Líbano há 23 anos e atua como pesquisador no Centro de Pesquisas sobre Imigração, na Universidade de Notre Dame, em Beirute. Além dele, também esteve no encontro o cônsul geral do Brasil no Líbano, Michael Geep.
Segundo o historiador, que tem livros publicados sobre os laços de imigração entre o Brasil e o Líbano, a necessidade de maior contato com a cultura mãe foi manifestada não apenas por ele, que representou os moradores brasileiros no Líbano e Oriente Médio na conferência, mas também pelas demais comunidades de brasileiros no exterior, como Estados Unidos. Tanto que o pedido foi registrado no documento final do encontro.
“Muitos filhos de brasileiros que nascem no Líbano não sabem falar português”, explicou Khatlab em entrevista à ANBA, após a conferência. O escritor diz que deveria haver escolas e centros culturais voltados para a comunidade brasileira no Líbano. Também há necessidade, segundo ele, de contato com a literatura brasileira e acesso a livros.
Começou a ser oferecido, na Universidade Saint-Esprit de Kaslik, libanesa, no semestre que começou em outubro, curso optativo de Língua Portuguesa e Literatura para os universitários. Os alunos da universidade – que tem vários campi, até mesmo no Vale do Bekaa, onde vivem brasileiros – precisam aprender um quarto idioma, além dos obrigatórios. Khatlab vai lecionar Literatura dentro do curso oferecido pela universidade.
Khatlab participou das quatro mesas de discussão no encontro do Rio de Janeiro. Foram discutidas as áreas de Educação e Cultura, Previdência Social e Trabalho, Assuntos Consulares e Assuntos Políticos. Segundo o pesquisador, muitas questões que são problemas em outros países onde vivem brasileiros, como de visto, não ocorrem no Líbano. A maioria dos brasileiros que vivem no país árabe têm cidadania libanesa porque são descendentes. Vivem no Líbano 10 mil brasileiros, segundo estimativas de Khatlab.
O pesquisador explica que uma dos problemas enfrentados por brasileiros no Líbano são de famílias. Isso porque há muitas brasileiras que se casam com libaneses e passam a viver no país. Khatlab explica que em caso de separação, elas ficam submetidas aos tribunais libaneses e não conseguem voltar ao Brasil com seus filhos. Na conferência do Rio, ele sugeriu que informações a respeito disso sejam incluídas em uma cartilha para brasileiros no exterior, para que as brasileiras tenham consciência disto antes de viajarem.
O encontro no Rio, que é a segunda edição, teve como objetivo estabelecer um contato permanente do governo brasileiro com as comunidades do país no exterior. Segundo dados da secretaria de comunicação social da Presidência da República, cerca de três milhões de brasileiros vivem fora do país. Eles remetem ao Brasil, ao ano, US$ 7 bilhões.

