São Paulo – O sistema brasileiro de gestão de recursos hídricos está chamando a atenção no Fórum Mundial da Água, que ocorre em Istambul, na Turquia. De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, que participa do encontro, o sistema participativo e descentralizado de gestão de águas no Brasil desperta o interesse dos participantes estrangeiros. No país, as bacias hidrográficas estão sob o domínio da federação e dos estados, de acordo com sua localização, e o uso dos seus recursos é determinado com a participação da sociedade civil.
Machado lembra que o Brasil tem peculiaridades pelo fato de ser um país com regiões de alta disponibilidade de água e outras de semi-árido, por exemplo. O país tem no encontro um estande que está sendo bastante procurado e onde ocorrem, além de reuniões e conversas informais com os participantes do fórum, também discussões e palestras em um anfiteatro. De acordo com Machado, pessoas de várias partes do mundo têm ido ao estande para trocar experiências e conhecer o trabalho do Brasil na área de águas. O encontro começou na última segunda-feira (16) e segue até o domingo (22).
O Brasil participa do fórum com mais de 120 pessoas, de acordo com Machado. O presidente e diretor da ANA, afirma que as mudanças climáticas estão no cerne dos debates. “Todos sabem que as mudanças climáticas vão se intensificar ao longo deste século e são importantes na questão da disponibilidade de água, agravando a escassez em alguns locais e aumentando os níveis de inundação em outros”, afirma. O aquecimento, diz Machado, exige intensificação e sofisticação na gestão de recursos hídricos no mundo.
Machado acredita que o fórum vai influenciar na criação de políticas para a gestão das águas mundo afora. O encontro tem desde representantes de governos até técnicos, executivos e donos de indústrias, empresas de irrigação, energia elétrica, entre outros. O objetivo do fórum é ser um espaço para troca de experiências em gestão de águas. As nações mais ricas, segundo Machado, estão na ponta nesta área, mas o Brasil, por estar começando, não fica atrás. “O Brasil está tendo uma visibilidade grande”, diz.
Crescimento
No encontro de especialistas do Fórum, os países foram chamados a aumentar seus investimentos em projetos em infra-estrutura hídrica. De acordo com informações da assessoria de imprensa do Fórum, esses investimentos podem ser geradores de crescimento, emprego e renda nos países. Para cada US$ 1 aplicado em água são gerados US$ 8 para a sociedade. Os especialistas admitem, porém, que no atual cenário de incertezas econômicas, os principais investidores em gestão de águas e seus setores correlacionados, continuarão a ser os governos. Em torno de 20 mil pessoas estão presentes nesta edição.

