São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes renderam US$ 1,21 bilhão em agosto, um aumento de 40,4% em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “É muito expressivo esse aumento. Isso mostra que o mercado árabe está no radar das empresas brasileiras”, afirmou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin.
Os cinco maiores destinos das exportações brasileiras no mês foram Arábia Saudita, com importações de US$ 270 milhões; Egito, com US$ 205,94 milhões; Emirados Árabes Unidos, com US$ 162 milhões; Argélia, com US$ 93,64 milhões; e Bahrein, com US$ 83,55 milhões.
De acordo com o gerente do Departamento de Desenvolvimento de Mercado da Câmara Árabe, Rodrigo Solano, os principais responsáveis pelo aumento das exportações em agosto foram o açúcar (US$ 426,6 milhões), carnes de frango e bovina (US$ 305,4 milhões) e minério de ferro (US$ 85,7 milhões). Além dos produtos tradicionais, Solano destacou no mês o crescimento das exportações de calçados (111%) e maquinários (51%).
As vendas de maquinários, que inclui tratores, escavadeiras e compressores, totalizaram US$ 26,68 milhões. Os maiores compradores foram Arábia Saudita, Emirados Árabes, Argélia e Egito. “Existem oportunidades para outros maquinários no mercado árabe. O Egito, por exemplo, está entre os países árabes mais importantes para os maquinários industriais”, afirmou Solano.
O gerente disse ainda que, em novembro, a Câmara Árabe vai participar da feira Mactech, de equipamentos e máquinas industriais, que será realizada no Cairo. “É uma grande oportunidade para as empresas brasileiras”, acrescentou.
No setor calçadista, o Brasil exportou ao mercado árabe, em agosto, US$ 2,74 milhões. Considerando apenas as vendas para a Arábia Saudita, o aumento foi de 559%. Os calçados foram embarcados também para os Emirados e Kuwait.
Entre os principais mercados do mundo árabe, os que mais cresceram em agosto foram o Egito, com aumento de 116,5% sobre o mesmo mês de 2009; Síria, com 66,6%; Arábia Saudita, com 48,8%; e Argélia, com 47,2%. Para o Egito, o destaque foi o crescimento de mais de oito vezes nas exportações de carnes de frango e bovina, que somaram US$ 94 milhões. Já a Arábia Saudita apresentou um aumento de 338% nas importações de maquinários, totalizando US$ 10,3 milhões. Os demais países se destacaram no crescimento das compras de açúcar.
Dos países menos tradicionais, os destaques de crescimento foram para Tunísia (674,85%), Sudão (515%), Bahrein (433,3%), Líbia (320%) e Somália (300%). O minério de ferro foi o produto mais embarcado para Líbia e Bahrein, por exemplo. No caso do Bahrein, o produto representou 96% das exportações brasileiras. Para a Líbia, o minério de ferro vem se destacando. No mercado árabe, o país é quarto maior importador do produto. “A Líbia está passando por um ‘boom’ de construção, é natural que haja essa demanda por minério de ferro”, afirmou Solano.
Acumulado
De janeiro a agosto, as exportações brasileiras para o mercado árabe somaram US$ 7,35 bilhões, um aumento de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Argélia e Marrocos foram os principais destinos.
Os produtos mais embarcados foram açúcar (US$ 2,18 bilhões), carnes de frango e bovina (US$ 2,15 bilhões), minérios (US$ 1,34 bilhão), maquinários (162,4 milhões) e ouro bruto (US$ 149 milhões).
Por outro lado, o Brasil importou dos países árabes nos oito primeiros meses do ano, US$ 4,5 bilhões, o que representou um aumento de 37,8% em comparação ao mesmo período de 2009. Combustíveis minerais, fertilizantes e plásticos foram os principais produtos comprados da Argélia, Arábia Saudita, Iraque, Marrocos e Emirados.

