São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes renderam US$ 4,3 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados ontem (15) pelo presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin. Na mesma comparação, as vendas externas totais do Brasil decresceram 23%.
“Isso demonstra o quão importante tem sido esse movimento de exportação para o mundo árabe”, disse Schahin, em entrevista coletiva realizada na sede da entidade, em São Paulo. Ele acrescentou que o comércio mundial como um todo deverá diminuir em 12% por causa da crise financeira. Os mercados emergentes, incluindo os árabes, têm sido uma alternativa aos exportadores frente à recessão nas economias centrais.
A participação do mundo árabe nas exportações brasileiras passou de 4,56% no primeiro semestre de 2008 para 6,15% no mesmo período deste ano. “E a tendência é crescer cada vez mais”, destacou Schahin. “Se os governos no Brasil continuarem nessa mesma tendência, as relações vão melhorar muito. O país vai ganhar mercado em relação ao mundo nos países árabes”, acrescentou, referindo-se à política de aproximação diplomática e cultural promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesse sentido, Schahin ressaltou que o atual governo “se posicionou de maneira muito importante em relação aos países árabes” e que hoje o Brasil é muito bem visto na região. “Em Doha pudemos entender o quanto o Brasil é importante para o mundo árabe. Isso ficou claro nas conversas que tivemos”, afirmou ele, ao comentar a participação da Câmara Árabe no encontro empresarial paralelo à 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes, que ocorreu no final de março na capital do Catar.
Segundo Schahin, a Câmara Árabe terá cada vez mais um “papel indutor” no processo de introdução das empresas brasileiras no mercado árabe.
O desempenho no primeiro semestre foi impulsionado principalmente pelo crescimento de 24% nas exportações às nações árabes do Norte da África. Segundo dados da Câmara Árabe, os embarques para lá renderam US$ 1,63 bilhão no período. Os principais destinos das mercadorias brasileiras no mundo árabe entre janeiro e junho foram a Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Marrocos.
Schahin destacou que os países árabes sofreram menos com a crise, apesar da queda no preço do petróleo, porque estavam “menos alavancados” do que outras economias, sendo que as principais perdas na região ocorreram nos fundos soberanos expostos a ativos externos.
Os principais itens embarcados foram açúcar, carnes (de frango e bovina) e minério de ferro, que responderam por 61% do total exportado. Houve também, de acordo com a Câmara Árabe, aumento de 63% nas entregas de aeronaves da Embraer, que ficaram em terceiro lugar na pauta.
Agronegócio
Os produtos do agronegócio, por sua vez, responderam por 69% da pauta. As vendas somaram US$ 2,56 bilhões, um crescimento de 16% em comparação com os primeiros seis meses do ano passado. O peso dos países árabes nas exportações do setor chegou a 9,41%.
Além do açúcar e das carnes, estão entre as principais mercadorias agropecuárias exportadas aos árabes os cereais, especialmente o milho, o complexo soja (grãos, farelo e óleo), café, carnes industrializadas, fumo e gado vivo.
Fora da seara alimentícia, destaque também para os veículos, semimanufaturados de ferro e aço, bens de capital, material elétrico e papel.
Superávit
Na outra mão, as importações de produtos árabes caíram 61% e ficaram em US$ 2,04 bilhões no primeiro semestre. Os principais itens importados pelo Brasil são petróleo e derivados. De acordo com Schahin, além da queda do preço do petróleo no mercado internacional, houve aumento da produção no Brasil, o que derrubou o valor das compras externas.
Com isso o Brasil acumulou um superávit de US$ 2,26 bilhões na balança comercial com os árabes nos primeiros seis meses de 2009, ante um déficit de US$ 1,15 bilhões no mesmo período de 2008. Vale lembrar que, no primeiro semestre do ano passado, a cotação do petróleo estava em forte ascensão, tendo atingido seu pico em julho, para depois recuar frente à diminuição da demanda internacional causada pela crise.
De acordo com Schahin a tendência é que o Brasil continue a ampliar suas vendas ao mundo árabe, ao passo que as importações diminuem. Ele disse que, consideradas apenas as reservas já descobertas, o Brasil deverá chegar a 2020 como exportador de 1 milhão a 1,5 milhão de barris diários de petróleo.
Para o presidente da Câmara Árabe, a evolução das exportações ao mundo árabe é “sustentada e tem condições de continuar a crescer ao longo dos anos”. Ele ressaltou, porém, que as empresas brasileiras “têm que se sentir competitivas”. Nesse sentido ele lembrou de dificuldades que existem, como a distância entre as duas regiões, problemas de logística e a ainda incipiente divulgação de uma “Marca Brasil” no exterior.
“Precisamos nos mostrar mais. Temos sido fracos para fazer nossa propaganda”, afirmou Schahin, acrescentando que uma boa parte do empresariado brasileiro ainda tem “temor de se expor no mercado internacional”.

