Da Agência Sebrae
Cuiabá – As exportações brasileiras de couro devem saltar de US$ 1,8 bilhão, registrados no ano passado, para cerca de US$ 6 bilhões nos próximos oito anos. A estimativa é do professor de Políticas Públicas da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, um dos palestrantes do Seminário Regional do Couro – Tendências, Design, Mercado e Negócios, aberto na quinta-feira (04) no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.
Segundo ele, a estimativa é baseada na taxa média anual de crescimento do setor no País, em torno de 20% ao ano. "O Brasil saltou de US$ 800 milhões exportados em 2001 para US$ 1,8 bilhão no ano passado. A estimativa para este é ano é chegar aos US$ 2,2 bilhões e US$ 2,8 bilhões no ano que vem", afirmou.
O País ocupa a segunda posição mundial em valores exportados, perdendo apenas para a China, cujos valores atingiram, no ano passado, a cifra de US$ 3,7 bilhões. No entanto, de acordo com Ricardo Caldas, há uma tendência de estabilização das exportações chinesas, com a previsão, para 2015, de ambos os países se equipararem. Isto é, exportarem cerca de US$ 6 bilhões.
Em termos quantitativos, a China mantém a liderança na produção de couro – com uma produção de 55 milhões de peças anuais ou 16% do mercado mundial, ficando o Brasil em segundo lugar, com 44 milhões de peças ou 13%. Em 2015, a tendência é a China manter o primeiro lugar com 25% (80 milhões de peças) e o Brasil atingir a marca de 70 milhões de peças e 20% do mercado mundial.
Mato Grosso
Embora possua o maior rebanho bovino do País, com mais de 26 milhões de cabeças, Mato Grosso ainda ocupa a oitava posição no ranking nacional dos exportadores, ficando atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná, Ceará, Bahia e Goiás. Em 2006, o Estado exportou quase 1,7 milhão de peças, num total de US$ 72,96 milhões.
Apesar de ocupar a oitava posição, Mato Grosso vem registrando um constante crescimento do setor. Apenas entre 2005 e 2006, a quantidade exportada cresceu 88,16%, passando de 866 mil peças para 1,7 milhão de peças, enquanto os valores aumentaram 144,25%. Isto é, saltaram de US$ 29,87 milhões para 72,96 milhões.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Curtume de Mato Grosso (Sincurt), Marcelo Paes de Barros, o crescimento é ainda maior quando a comparação é, por exemplo, em relação a quatro anos atrás. "Em 2003, a produção estadual era entre 15 mil e 16 mil peças, enquanto hoje estamos produzindo 34 mil peças por dia, bem acima do dobro."
O Seminário Regional do Couro é promovido pelo Sebrae em Mato Grosso, com apoio do Governo do Estado, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia de Mato Grosso (Sicme), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Escola Agrotécnica Federal de Cáceres. O evento prossegue até este sábado (06).

