São Paulo – As exportações brasileiras de veículos aumentaram 41,7% em maio sobre abril, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (08) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram 40,8 mil unidades enviadas ao exterior no mês, o que significou também avanço de 16,5% em comparação ao mesmo mês do ano passado, quando a exportação ficou em 35 mil veículos. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o crescimento foi de 3%, com 149,3 mil unidades embarcadas.
O gerente de Desenvolvimento de Negócios da consultoria automotiva Jato, Milad Kalume Neto, acredita que o desempenho de maio reflete os primeiros efeitos do programa Inovar Auto. O programa foi lançado pelo governo federal em 2012 e dá incentivos fiscais para montadoras que melhorarem a eficiência energética, a segurança dos veículos e aumentarem os gastos com engenharia, tecnologia industrial e capacitação de fornecedores. “Vem trazendo mais eficiência energética para os motores dos veículos”, afirmou Neto à ANBA.
O especialista, no entanto, não comemora muito o avanço na exportação, pois lembra que a base de comparação é muito baixa. Ele afirma que o Brasil não tem produto competitivo para o exterior, principalmente se tratando de modelos populares. Mas Neto ressalta a exportação do segmento Premium para a América do Sul e considera uma estratégia positiva a produção deste tipo de carro no Brasil, já que existe um mercado externo forte para esses modelos. Ele cita ainda como positiva a venda de alguns SUV para Europa e Estados Unidos.
Os números das exportações citados acima incluem veículos leves, caminhões e ônibus. O melhor desempenho foi verificado na primeira categoria, mas os demais tipos de veículos também tiveram expansão nas vendas internacionais. As exportações de veículos leves cresceram 42,8% em maio sobre abril, as de caminhões, 29%, e as de ônibus, 25%. Nas demais comparações, com maio e no acumulado do ano sobre o mesmo período de 2014, apenas as exportações de ônibus recuaram, segundo os dados da Anfavea.
Apesar das boas notícias no mercado externo, a indústria automotiva brasileira vem enfrentando queda de produção. Em maio a retração na fabricação de autoveículos foi de 3,4% sobre abril. Foram produzidas 210 mil unidades. Sobre maio do ano passado também houve queda, de 25,3%, e no acumulado do ano a contração foi de 19,1%. Nos cinco primeiros meses do ano, as empresas do segmento fabricaram 1,1 milhão de veículos.
Frente aos números apresentados até maio, a Anfavea revisou suas projeções para o setor. Ela acredita em queda de 17,8% na produção neste ano, ante os 10% de recuo previsto anteriormente. Em material divulgado, a entidade explicou o fato pela expectativa do mercado e a confiança dos consumidores e empresários, que segue abalada, influenciada pelo arrocho no crédito e pela espera da conclusão de um ajuste fiscal na economia brasileira.


